Efeitos da crise sobre intenções de investimento foram revertidos, diz BC

Relatório ainda avalia que estoques se normalizaram, varejo deve intensificar expansão e produção na indústria continuará a crescer

Fábio Graner e Fernando Nakagawa, da Agência Estado,

31 de março de 2010 | 10h13

O Banco Central avalia que os efeitos negativos da crise financeira sobre os planos de investimentos foram revertidos. No Relatório Trimestral de Inflação divulgado nesta quarta-feira, os diretores da instituição afirmam que "em linhas gerais, pode-se afirmar que os efeitos da crise sobre as intenções de investimento foram revertidos, ainda que o cenário externo inspire algum cuidado".

 

A avaliação é acompanhada pela lembrança de que o País tem no horizonte de médio e longo prazos inúmeros projetos que devem incentivar o investimento. "Diversos projetos ligados ao setor de petróleo (pré-sal), de infraestrutura, assim como a realização da Copa do Mundo e das Olimpíadas no Rio de Janeiro sinalizam sustentação da demanda por investimentos nos próximos anos", cita o documento.

 

Para o BC, o cenário atual é positivo para o aumento do investimento na economia. "O Copom entende que o cenário para o investimento nos próximos trimestres é de crescimento", completa o documento.

 

Estoques já voltaram a nível 'normal'

 

Os estoques da economia já voltaram a um nível considerado "normal", avalia o BC. No Relatório Trimestral de Inflação, os diretores da instituição afirmam que "o investimento tende a continuar se fortalecendo rapidamente e também encontra suporte em indícios de que o processo de normalização de estoques chegou ao fim".

 

No mesmo documento, os diretores do BC afirmam que a economia brasileira entrou em 2010 sem estoques excessivos. Aliada à retomada do nível de atividade, na avaliação do Copom, "a ampliação de estoques deverá ter impacto positivo no PIB de 2010". "Para os próximos trimestres, o Copom avalia que a produção industrial deve continuar crescendo de maneira robusta, com reflexos positivos sobre o emprego e o nível de renda".

 

Expansão do varejo deve se intensificar 

 

O Banco Central aposta que o varejo deve continuar com resultados robustos nos próximos meses. No Relatório Trimestral de Inflação, os diretores da autoridade monetária afirmam que "o comércio varejista não apenas deverá continuar registrando resultados positivos ao longo dos próximos trimestres, mas, também, que a expansão deverá se intensificar".

 

Na avaliação dos diretores do Comitê de Política Monetária (Copom), o comércio deve continuar com expansão das vendas porque o nível de emprego continua em trajetória de recuperação e o crédito às pessoas físicas mantém seu dinamismo. Juntos, esses dois fatores devem mais que compensar o fim dos benefícios dados pelo governo durante a crise financeira mundial.

 

No documento, o BC destaca o aumento das vendas em supermercados em itens como alimentos e bebidas, cuja expansão atingiu 8,6% nos 12 meses encerrados em janeiro de 2010. O comércio ampliado, que inclui veículos, motos e material de construção avançou 7,4% no mesmo período. "As vendas de automóveis, que se recuperaram rapidamente, já ultrapassaram os níveis vigentes antes da crise", destaca o texto.

 

Produção industrial deve seguir 'crescimento robusto'

 

A indústria deve continuar em forte ritmo de expansão pelos próximos meses, ainda aposta o BC. No documento, os diretores afirmam que "para os próximos trimestres, o Copom avalia que a produção industrial deve continuar crescendo de maneira robusta". A expansão do setor, para o BC, deve gerar "reflexos positivos sobre o emprego e o nível de renda".

 

Os diretores do BC afirmam que "após registrar forte contração no final de 2008, em virtude da intensificação da crise econômica mundial, o setor retomou de maneira robusta a trajetória de expansão que vigia antes da crise".

 

Na recuperação da economia, o BC destaca que os setores mais dependentes do crédito como, por exemplo, "o automotivo e o de construção civil, que foram os mais intensamente atingidos pela crise econômica mundial, mostram robusta recuperação e, em alguns casos, já ultrapassam os níveis de produção vigentes antes da crise".

 

"Dessa forma, a retirada de parte das medidas anticíclicas adotadas durante a crise, como a redução do IPI sobre a linha branca e os automóveis, não deve gerar maiores impactos nesses setores, dado o cenário favorável de crescimento e, em alguns casos, a insuficiência de estoques", destaca o BC, ao reforçar a previsão de expansão da atividade.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.