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Efeitos da estagnação

A estagnação da economia vem acendendo sinais amarelos quase todos os dias.

CELSO MING, O Estado de S.Paulo

20 de junho de 2014 | 02h02

Na semana passada, o Índice da Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), que pretende antecipar a medição do PIB, apontou em abril sobre março um avanço de 0,12%, número que acusa um desempenho muito próximo do negativo também no segundo trimestre do ano. Quarta-feira, o IBGE mostrou, em abril, forte desaceleração dos serviços, justamente o setor mais dinâmico até aqui.

Não há radar que projete para este ano um avanço sobre 2013 superior a 1,5%. O levantamento semanal feito pelo Banco Central pela Pesquisa Focus, na qual são ouvidas cerca de 100 instituições, mostrou segunda-feira que o crescimento esperado do PIB para 2014 é de 1,24%.

É uma expectativa negativa que contamina toda a atividade econômica e tende, por si só, a puxar ainda mais para baixo o desempenho da economia.

Não é o mercado de trabalho que está sendo mais atingido, uma vez que segue excessivamente aquecido, em situação de quase pleno-emprego. Mas parece inevitável um desaquecimento também nesse campo. Com as vendas estagnadas e pouco alento pela frente, as empresas tendem a antecipar férias coletivas, a adiar as contratações de pessoal, a engavetar projetos de expansão e a reter encomendas com os fornecedores.

Este não é o único efeito macroeconômico perverso produzido por uma economia à beira da estagnação. O principal deles atinge a administração das finanças públicas, já que derruba a arrecadação de impostos e praticamente impossibilita a consecução das metas fiscais.

Afinal, o que dá para fazer para reverter esse quadro? Na verdade, pouco ou quase nada. Não há mais espaço para políticas anticíclicas, porque estas não se adotam quando o governo quer, mas só quando pode. O Tesouro é uma tigela raspada de onde não se pode tirar mais nada. O pacote de bondades amarrado à última hora pelo governo para animar os empresários demonstra o estado de penúria dos recursos públicos e o baixo alcance da artilharia do governo.

O ministro Guido Mantega vem repisando um diagnóstico equivocado, já retomado pelo ex-presidente Lula: de que a economia está parando porque o crédito ao consumo está em desaceleração.

É, mais uma vez, entender que o problema está na demanda. Trata-se de um olhar viciado que vem dos tempos do governo Lula. Por causa das suas origens na militância sindical, as autoridades da área econômica tendem a tomar encalhes das montadoras de veículos como indicação de que os bancos estão retendo o crédito, e não de que o poder aquisitivo do consumidor esteja sendo combalido pela inflação ou de que a capacidade de endividamento das famílias esteja ao menos temporariamente esgotada.

Bem que o governo Dilma vem tentando recuperar a confiança dos empresários. Mas o vem fazendo de modo inadequado. Melhores resultados seriam obtidos se se comprometesse com firmeza a atacar as distorções que estão à frente de todos. No entanto, parece crer que essa atitude implica reconhecer erros graves na condução da economia e isso ele quer evitar, ao menos em tempo de eleições.

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