Tiago Queiroz/Estadão - 9/6/2020
Tiago Queiroz/Estadão - 9/6/2020

Efeitos negativos da pandemia ainda eram sentidos por 37,5% das empresas na 2ª quinzena de julho

Segundo o IBGE, 38,9% de um total de 3 milhões de empresas relataram dificuldades para fazer pagamentos de rotina; 242 mil companhias reduziram o número de empregados no período

Daniela Amorim, O Estado de S.Paulo

02 de setembro de 2020 | 09h58
Atualizado 02 de setembro de 2020 | 17h39

RIO - Ao fim do quinto mês de pandemia, praticamente quatro em cada dez empresas brasileiras (ou exatos 37,5%) ainda se viam prejudicadas pela crise sanitária no País. Os dados são da Pesquisa Pulso Empresa: Impacto da Covid-19 nas Empresas, que integram as Estatísticas Experimentais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O número de empreendimentos afetados negativamente pela pandemia de coronavírus vem diminuindo, mas a incidência de companhias prejudicadas permanecia elevada na segunda quinzena de julho, afirmou Flávio Magheli, coordenador de Pesquisas Conjunturais em Empresas do IBGE.

“O resultado é menos negativo em relação às quinzenas anteriores. Na segunda quinzena de junho, essa taxa de efeitos negativos era de 62,4%. Mas ainda é uma taxa significativa”, confirmou Magheli.

A pandemia reduziu as vendas ou serviços prestados em 34,4% das 3 milhões de empresas em funcionamento na segunda quinzena de julho. Um terço de todas as empresas (33,1%) teve dificuldades de fabricar produtos ou atender clientes, e 45,3% das companhias enfrentaram problemas de acesso aos seus fornecedores. Com a receita prejudicada, 38,9% das empresas relataram dificuldades em realizar pagamentos de rotina.

“Nas primeiras rodadas da pesquisa, entre os problemas causados, era mais citada a demanda, que se expressava na queda nas vendas. A partir da queda nas vendas, as empresas passaram a ter dificuldade de pagamentos. Na edição atual, a principal dificuldade é problema de oferta, dificuldade de abastecimento na cadeia produtiva, de acessar fornecedores, insumos, matérias-primas”, apontou Alessandro Pinheiro, coordenador de Pesquisas Estruturais e Especiais em Empresas do IBGE.

Os maiores prejudicados são os pequenos negócios, que têm mais dificuldade de acesso a capital de giro para reposição de estoques perdidos durante as medidas de isolamento social de combate à disseminação da covid-19.

“Quando as empresas são fechadas e têm que reabrir, muitas delas têm que recuperar estoques, recuperar capital físico para acessar. Talvez seja essa a percepção de dificuldades de acessar seus fornecedores. Eles podem estar fechados pelo isolamento, ou pode ser dificuldade de capital de giro para renovar estoques”, explicou Flavio Magheli. “Bares e restaurantes fechados por 15 dias perdem parte de suas mercadorias. Para repor isso, tem que ter capital de giro”, completou.

Como resultado, uma quantidade considerável de empresas não conseguiu manter o quadro de funcionários. Na segunda quinzena de julho, 242 mil empresas reduziram o número de empregados em relação à quinzena anterior.

“A gente tem um saldo positivo (de vagas) apontado pelo Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), mas os números quantitativos absolutos de desligamentos ainda são elevados”, confirmou Magheli.

O coordenador do IBGE aponta que os resultados das pesquisas conjunturais e de indicadores antecedentes mostram que o pior momento do impacto da pandemia sobre a economia ficou para trás, mas as atividades ainda estão longe de recuperar o que foi perdido especialmente nos meses de março e abril.

“A leitura ainda é de retomada gradual, especialmente para as pequenas empresas”, disse Magheli.

Na pesquisa pulso, a percepção dos pesquisadores do IBGE é que há uma transição de maior incidência de impactos negativos da pandemia sobre os negócios para uma influência maior de contribuições pequenas ou inexistentes da covid-19. “Mas ainda não dá para dizer que houve melhora acentuada”, ponderou Magheli.

“O que a gente tem é um quadro de estabilidade dentro de um quadro de dificuldades. Ainda não há piora”, acrescentou Pinheiro.

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