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Yuri Gripas/Reuters
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'Efeitos persistentes da greve' pioram perspectiva de crescimento no Brasil, diz FMI

A instituição reduziu a projeção de PIB do Brasil em 2018 para 1,8%, por causa da paralisação de caminhoneiros e da incerteza política no País

Thaís Barcellos e Mateus Fagundes, O Estado de S.Paulo

16 de julho de 2018 | 11h14

O Fundo Monetário Internacional (FMI) reduziu a projeção do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil para 1,8% no relatório de Perspectiva Econômica Mundial deste mês, ante 2,3% em abril. Para 2019, a previsão de 2,5% foi mantida. A instituição já havia antecipado a revisão na semana passada, no comunicado do Conselho Executivo sobre as conclusões das consultas do capítulo IV para o Brasil.

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No documento divulgado nesta segunda-feira, o Fundo cita que a piora na perspectiva de crescimento reflete os "efeitos persistentes da greve", referindo-se à paralisação dos caminhoneiros em maio, e as "incertezas políticas".

O Brasil também está inserido em um contexto mais desafiador para economias emergentes. Segundo o FMI, as perspectivas de crescimento entre os emergentes estão mais "desniveladas", citando o aumento dos preços do petróleo, os juros mais altos nos Estados Unidos, a escalada das tensões comerciais e as pressões sobre as moedas de algumas economias com "fundamentos mais fracos".

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O Fundo ressalta que o dólar se fortaleceu globalmente mais de 5% em termos reais desde fevereiro. Nesse período, as moedas de economias avançadas ficaram inalteradas, enquanto as de economias emergentes tiveram nítida desvalorização, segundo o FMI. "O real se depreciou mais de 10% com uma recuperação econômica menor do que a esperada e incertezas políticas."

Políticas prioritárias. Sem citar nominalmente o Brasil, o FMI afirma que "muitos mercados emergentes e economias em desenvolvimento" precisam aumentar a resiliência por meio de um mix apropriado de políticas fiscais, monetárias, cambiais e para reduzir a vulnerabilidade a condições financeiras globais mais apertadas e inversões de fluxos de capital.

O Fundo ainda cita que permitir um câmbio flexível será um importante meio para amortecer os impactos adversos de choques externos, embora os efeitos da depreciação cambial nos balanços privados e públicos e sobre as expectativas de inflação devam ser monitorados de perto.

Global. O FMI manteve as projeções de crescimento global para este e o próximo ano em 3,9%, mas alertou para os riscos à atividade que a escalada das tensões comerciais pode causar. No texto, o FMI alerta que se a escalada da tensão comercial é "a maior ameaça de curto prazo" para o Produto Interno Bruto (PIB) global, citando barreiras impostas pelos Estados Unidos e as respostas de outras nações.

Além do impacto imediato sobre o sentimento do mercado, a proliferação de medidas comerciais poderia aumentar a incerteza sobre a amplitude potencial das ações comerciais, dificultando o investimento, enquanto barreiras comerciais mais elevadas tornariam os bens comercializáveis menos acessíveis, perturbariam as cadeias de fornecimento globais e retardariam a disseminação de novas tecnologias, reduzindo assim a produtividade", defendeu o FMI.

Mas a questão comercial não é o único desafio global. O FMI avalia que há sinais de que a expansão global dos últimos dois anos começa a se estancar.

"A expansão está se tornando menos uniforme e os riscos para as perspectivas estão aumentando", ponderou o Fundo.

Além desses sinais, o FMI afirmou que alguns riscos se ampliaram desde a última revisão do relatório de Perspectiva Econômica Mundial, publicada em abril. São eles: a política na Europa e o Brexit.

"A incerteza política aumentou na Europa, onde a União Europeia enfrenta desafios políticos fundamentais no que diz respeito à política de migração, à questão fiscal, às normas relativas ao Estado de direito e à arquitetura institucional da zona do euro. Os termos do Brexit também permanecem incertos apesar dos meses de negociação", afirmou, em nota, o economista-chefe e diretor do Departamento de Pesquisa do Fundo Monetário Internacional (FMI), Maurice Obstfeld.

Para Obstfeld, as transições de poder na América Latina nos próximos meses também adicionam incertezas ao cenário global.

Ao comentar sobre a política monetária global, o FMI avaliou que as condições financeiras derivadas do aumento de juros pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano) se "mantêm relativamente benignas".

"Os mercados - até agora - continuam a se diferenciar entre os mutuários, e as pressões das contas de capital têm sido mais intensas para aqueles com fraquezas evidentes (por exemplo, incerteza política ou desequilíbrios macroeconômicos). Se o Fed se apertar mais rápido do que o esperado atualmente, no entanto, uma ampla gama de países poderia sentir pressões mais intensas", comentou Obstfeld.

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