Egito faz apelo para luta contra alta dos alimentos

O presidente do Egito, Hosni Mubarak, fez um apelo hoje para que a comunidade internacional trabalhe com países pobres na luta contra os altos preços dos alimentos e dos combustíveis, que exauriram suas economias. O Oriente Médio e o Egito, muito dependentes da importação de alimentos, sofrem um aumento dramático na agitação e nos problemas sociais, porque muitos cidadãos foram atingidos pelos preços mais altos dos alimentos e a inflação.Os preços dos alimentos subiram pelo menos 40% desde meados de 2007 no mundo inteiro, impulsionados por vários fatores, como a expansão econômica vigorosa da China e da Índia e o aumento do uso do milho para produzir etanol nos Estados Unidos. Mubarak, que governa o Egito desde 1981, fez o apelo hoje na abertura do Fórum Econômico Mundial para o Oriente Médio.Os aumentos nos preços dos alimentos atingiram mais os países pobres. Os gastos com alimentação representam de 60% a 80% do orçamento dos consumidores nos países pobres e em desenvolvimento, em comparação a 10% e 20% dos gastos dos consumidores nos países industrializados, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU). Cerca de 20% dos 76,5 milhões de habitantes do Egito vivem abaixo da linha da pobreza, com renda per capita inferior a US$ 2 por dia.Adam Leach, diretor regional da organização Oxfam para o Oriente Médio, disse que os preços mais altos dos alimentos colocam dificuldades extremas para cerca de 60 milhões a 70 milhões de pessoas no Oriente Médio que vivem abaixo da linha da pobreza. O Egito é um dos maiores importadores de trigo do mundo e o preço do grão subiu 50% nos últimos doze meses.No mês passado, violentos protestos contra os altos preços dos alimentos irromperam no Egito e resultaram na morte de três pessoas. Ontem, voltaram a acontecer protestos contra a alta do preço do pão e várias pessoas ficaram feridas em choques com a polícia em diversas cidades.

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