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EIA: EUA podem não afetar petróleo como em 1997

A desaceleração da economia dos Estados Unidos poderá não afetar os preços do petróleo no mercado internacional, como ocorreu na crise dos países emergentes em 1997. A observação é da análise semanal da agência norte-americana especializada em energia (Energy Information Administration), que divulgou hoje documento sobre o impacto da crise econômica americana sobre o mercado de petróleo. Na avaliação de economistas da EIA, a situação atual é diferente da observada há 10 anos, embora a redução do ritmo nos Estados Unidos deva resultar em menor demanda por petróleo.Os economistas da agência não arriscam prever de forma precisa os impactos da crise sobre a demanda mundial do petróleo e os preços do produto. "Isso depende", acentua o documento, que limita-se a fazer a comparação entre a situação atual e a observada em 1997. Uma das principais incógnitas, por exemplo, é a atuação das autoridades governamentais sobre as taxas de juros e até sobre a produção de petróleo.Na avaliação da EIA, a crise de 1997, iniciada com a quebra da Tailândia, foi agravada pela decisão de vários países de elevar os juros e reduzir a demanda agregada, até por recomendações do Fundo Monetário Internacional (FMI). Atualmente, ao antecipar a desaceleração na economia americana, o banco central daquele país afrouxou o controle e tem reduzido os juros desde o segundo semestre do ano passado. Essa decisão praticamente adiou (ou evitou) a recessão prevista para os Estados Unidos em 2007, observa a EIA.Os bancos centrais de outros países estão adotando posição semelhante e, em vez de elevar as taxas de juros, estão preferindo mantê-las. Essa posição é facilitada pelo fato de a recessão atual ser uma "crise anunciada", ao contrário do observado há 10 anos. A quebra da Tailândia pegou muitos agentes econômicos de surpresa, mas desde o início do ano passado muitos economistas previam a possibilidade de recessão nos Estados Unidos.Por não ter sido antecipada, a recessão de 1997 surpreendeu os produtores de petróleo reunidos na Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), que mantinham estoques elevados do produto, ao contrário do observado atualmente. "Em novembro de 1997, ao invés de reduzir a produção devido à redução no consumo mundial, a Opep aumentou a produção", observou a EIA. Com isso, houve pressão adicional para a queda nos preços do petróleo naquele período. Este ano, ao contrário, a Opep cortou a produção de óleo e mantém os estoques em estreita vigilância, o que mantém os preços pressionados.Outra alteração relevante, ainda conforme a EIA, é que as empresas tornaram-se mais eficientes no uso do petróleo em suas atividades de produção. Muitas, inclusive, transferiram unidades fabris para outros países, aproveitando salários mais baixos. Com isso, a alta nos preços do petróleo foi anulada pela elevação nas cotações do barril do petróleo. "Desde que os preços do petróleo subiram de US$ 3 por barril no início dos anos 70 para US$ 90 atualmente, as empresas tornaram-se mais eficientes no uso de energia", observa a EIA. De qualquer forma, a agência americana considera que é provável uma redução na demanda de óleo entre 400 mil a 500 mil barris diários, além dos efeitos indiretos sobre outras economias que dependem do ritmo norte-americano.

ALAOR BARBOSA, Agencia Estado

06 de fevereiro de 2008 | 18h14

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