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Eichengreen vê risco de bolha de crédito no Brasil

O Brasil exibe hoje as duas condições comuns a bolhas financeiras que estouraram ao longo da história: alta velocidade de expansão do crédito e moeda valorizada. Isso não significa que uma bolha esteja se formando (ou tenha se formado) no Brasil. Mas há riscos.

Leandro Modé, O Estado de S.Paulo

20 de maio de 2011 | 00h00

A avaliação é do economista americano Barry Eichengreen, respeitado professor da Universidade de Berkeley, na Califórnia, e ex-consultor do Fundo Monetário Internacional (FMI).

"Quando os dois fatores ocorrem simultaneamente não quer dizer que uma forte correção esteja obrigatoriamente em curso, mas isso (a correção) acontece com frequência", afirmou, em entrevista exclusiva ao Estado. "Vejo uma bolha no Brasil? Não sei", complementou, fazendo a ressalva de que economistas não são bons em prever esses fenômenos (como a própria história das finanças mostra).

Eichengreen esteve no Brasil entre quarta-feira e ontem para participar do Congresso de Fundos da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), que ocorreu em São Paulo.

Para afastar de vez a possibilidade de uma bolha, Eichengreen só vê uma saída: o governo deve implementar um ajuste fiscal mais expressivo. A ideia é que, apertando o cinto, o governo compensa a "fartura" de capitais do setor privado. Além disso, reduz a demanda total da economia, o que automaticamente leva a uma desaceleração na procura por crédito.

Esse aperto adicional nas contas públicas também serviria para o governo alcançar outro objetivo importante no momento no País: conter o consumo e, por tabela, a escalada da inflação.

Para o professor de Berkeley, que também assina uma coluna no Estado a cada bimestre, o Brasil é incapaz de sustentar, nas condições atuais, o ritmo de crescimento do consumo dos últimos anos. "O Brasil precisa desacelerar o consumo, mas não a economia", frisou.

Eichengreen lembrou que, hoje, o consumo cresce perto de 10% ao ano, enquanto o Produto Interno Bruto (PIB) avança na casa de 5%. "O Brasil pode sustentar um ritmo de alta do PIB de 5%, mas não o de consumo a 10%. É preciso rebalancear os fatores que levam ao crescimento, o que passa por uma racionalidade maior nos investimentos", afirmou. "Será que vale a pena investir tanto em commodities e deixar de lado a educação?"

Riscos externos. O professor da Universidade de Berkeley vê dois riscos principais para a economia global. O primeiro deles é uma desaceleração mais forte da economia dos Estados Unidos, que decorreria de quatro fatores: setor imobiliário ainda deprimido, alto desemprego (com perspectivas de melhora, no ritmo atual, daqui a apenas seis anos), combustíveis mais caros e crise fiscal em alguns Estados americanos, como a Califórnia.

"Não é meu cenário principal hoje", frisou. "Mas essa possibilidade não pode ser descartada."

O outro risco é o de uma reestruturação da dívida de países europeus. "Será inevitável que a Grécia e Portugal reestruturem seus débitos", afirmou. "E isso terá impacto no mundo todo."

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