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Eike Batista desiste de vender fatias em campos de petróleo

Empresário afirma que captação de US$ 2,6 bilhões feita este ano pela OGX cobre as necessidades de caixa

NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

24 de setembro de 2011 | 03h07

O empresário Eike Batista disse ontem que sua empresa petrolífera OGX não está mais interessada em vender participações em campos petrolíferos marítimos, e planeja assinar dentro de um mês um contrato de fornecimento para uma grande empresa global do setor.

Depois de emitir US$ 2,6 bilhões em papéis neste ano, a OGX não precisará vender participações nos seus campos, o que supostamente teria atraído o interesse das estatais chinesas Sinopec e CNOOC, disse Eike, homem mais rico do Brasil e oitavo mais rico do mundo segundo o ranking da revista Forbes.

"A emissão dos bônus, que foi espetacular, cobriu completamente a necessidade de caixa", disse o empresário em visita à sede da Reuters. "Atraímos exatamente o que precisávamos para vivermos às nossas próprias custas."

Eike se mostrou confiante diante do rápido agravamento da crise mundial. Disse que seus investimentos são "à prova de idiotas" e reiterou que seu império industrial de US$ 30 bilhões pode facilmente resistir a uma queda acentuada no valor das suas ações, pois está amparada por US$ 10 bilhões de dólares em caixa e em linhas de crédito.

Contrato. A OGX em breve assinará um contrato de fornecimento com uma das três maiores empresas petrolíferas do mundo, à qual destinará o petróleo que começar a extrair no campo de Waimea, na costa brasileira, segundo o empresário.

"Quando assinarmos esse contrato, o mundo verá a qualidade do nosso petróleo", disse. Ele não quis, porém, identificar a empresa parceira, por questões de regulamentações do mercado acionário.

Eike Batista previu que suas cinco empresas com capital aberto, que atuam em setores como petróleo, mineração e logística, irão gerar um lucro Ebitda (sem levar em conta juros, impostos, depreciações e amortizações) de US$ 1 bilhão em 2012.

A maioria das companhias do grupo do empresário, por enquanto. ainda não gera lucros. Mas, segundo ele, começarão a pagar dividendos a seus acionistas em 2014.

Águas rasas. A produção petrolífera da OGX ocorrerá em águas rasas, com custo relativamente baixo - ao contrário, por exemplo, da produção da Petrobrás no pré-sal -, e por isso será vantajosa mesmo que a cotação do petróleo caia a níveis tão baixos como US$ 24 por barril, segundo ele. Sua produção, acrescentou, deve começar em novembro.

Eike Batista estimou que a cotação do petróleo tipo Brent ficará em cerca de US$ 90 por barril no futuro.

As ações da OGX tiveram alta de 1,1% ontem na Bovespa, cotadas a R$ 11,7, enquanto o índice amplo da bolsa fechou estável.

O otimismo de Eike se estende à produção brasileira de petróleo como um todo, que, segundo ele, deve passar dos atuais 2 milhões de barris diários para até 6 milhões. "Isso pode representar até US$ 150 bilhões por ano." / REUTERS

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