André Dusek/Estadão
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Com repasse de ações e do Hotel Glória, Eike pode quitar dívida com árabes

Empresário vai transferir participações na OSX, CCX, MMX e OGPar para o Mubadala, fundo que se tornou um de seus maiores credores e que acabou virando dono de seus principais ativos; se aprovada, operação deve ser concluída até junho

Naiana Oscar, Mariana Durão, O Estado de S. Paulo

19 de janeiro de 2016 | 10h01
Atualizado 19 de janeiro de 2016 | 21h31

O empresário Eike Batista está mais perto de quitar a dívida de US$ 2 bilhões com o fundo soberano de Abu Dabi, o Mubadala. Os árabes, que já viraram donos dos ativos mais valiosos do Grupo X, devem receber do empresário o equivalente a R$ 47,7 milhões em ações das empresas OSX, de construção naval, da CCX, de carvão, da MMX, de mineração e da petroleira OGPar. Como parte do acordo, segundo apurou o ‘Estado’, o Mubadala também ficará com o Hotel Glória, no Rio, e deixará de pagar o salário anual de US$ 5 milhões que vinha caindo na conta de Eike desde 2014, para que ele continuasse à frente dos negócios remanescentes. 

“Ao que parece, a opção do Mubadala foi por desfazer o casamento com Eike, recebendo uma quantia qualquer”, disse uma fonte do mercado. O relacionamento com os árabes começou em 2011, com conversas que culminaram em um aporte de US$ 2 bilhões na EBX, companhia que controlava todos as outras empresas de Eike Batista. O acordo inicial dava ao Mubadala 5,6% das ações da holding, conforme divulgado à época. Na posição de acionistas, eles seriam os últimos a recuperar o dinheiro investido. Por isso, em 2013, os árabes fizeram pressão e conseguiram mudar o contrato por meio de uma operação complexa, em que o investimento foi convertido em dívida e o Mubadala virou um dos principais credores do grupo X, com direito de ficar com alguns de seus principais ativos. 

Hoje, o Mubadala controla a mineradora de ouro AUX, a empresa de entretenimento IMX, dona da marca Rock in Rio, e tem participação na Prumo Logística (antiga LLX). Mas é na Ilha da Madeira, no município fluminense de Itaguaí, que está seu ativo mais valioso no Brasil: o Porto Sudeste. Ao lado da trading Trafigura, o Mubadala detém 65% do terminal portuário privado. Até os 10% da participação que Eike tinha na rede de fast-food Burger King pertence, agora, ao fundo soberano. 

Na noite de segunda-feira, o empresário comunicou ao mercado ter assinado contratos vinculantes para repassar ao Mubadala 28,79% das ações ordinárias da OSX, 26,45% do capital da CCX, e 21,04% da MMX, de mineração. O empresário também se comprometeu a transferir 11,47% das ações ordinárias da petroleira OGPar, a antiga OGX. Segundo fontes com conhecimento no assunto, esse repasse deve ser contestado pelos credores da petroleira, que está em recuperação judicial. Um acordo firmado em 2013 passou o comando da OGX para os detentores de dívida da companhia. 

Se todas essas operações forem aprovadas, o Mubadala teria em mãos uma participação equivalente a R$ 47,7 milhões, de acordo com a cotação da última sexta-feira. Em março de 2012, quando os árabes fizeram o primeiro aporte na Grupo X, essas mesmas participações valiam R$ 8,5 bilhões, segundo levantamento da Economática.

O comunicado divulgado pelo empresário não informa qual será sua participação nas companhias depois da transferência para o Mubadala. Com exceção da CCX, todas as outras empresas envolvidas no negócio estão em processo de recuperação judicial. “Já estava previsto no acordo que os árabes poderiam ficar com a fatia de Eike nessas empresas. Eles estavam esperando o pior da crise passar para tomar a participação”, diz uma fonte próxima ao Mubadala. A conclusão das transferências está prevista para o primeiro semestre deste ano, mas está sujeita a “condições precedentes”, diz a nota. 

Uma fonte próxima ao empresário confirmou que o acordo com o fundo incluiu também o Hotel Glória, no Rio. Nesse caso, Eike Batista continuará no circuito indiretamente. A ideia é que ele encontre um terceiro comprador para o empreendimento. O empresário também teria negociado uma opção de recompra de uma fatia do hotel, por US$ 40 milhões. Antes do Mubadala, o fundo suíço Acron havia assumido o negócio, mas o plano de atrair investidores não saiu do papel. Eike Batista adquiriu o lendário hotel cinco estrelas em 2008, com a intenção de restaurá-lo para a Copa de 2014 e a Olimpíada de 2016. Com a derrocada de seu império, as obras de restauração foram interrompidas. 

O mercado reagiu bem ao anúncio da transferência de participações. No pregão desta terça-feira, 19, as ações da MMX fecharam em alta de 9,52% (R$ 0,23), as da CCX subiram 15,13% (R$ 3,50) e as da OSX 23,08% (R$ 0,16). Os papéis da petroleira OGX ficaram no zero a zero, cotados a ínfimos R$ 0,03. 

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