Eike confirma venda de 10% da MPX para E.ON

Grupo alemão pagou R$ 850 milhões pela empresa de energia do grupo EBX, do bilionário brasileiro

SABRINA VALLE, GLAUBER GONÇALVES / RIO, O Estado de S.Paulo

12 Janeiro 2012 | 03h03

Após alguns dias de especulações no mercado, o empresário Eike Batista oficializou ontem a entrada da gigante alemã E.ON no capital de sua empresa de energia, a MPX, em operação intrincada. O empresário vai repassar os valiosos ativos de carvão da empresa na Colômbia para uma nova companhia, retirando-os do negócio, e depois venderá 10% da MPX para a E.ON por R$ 850 milhões. Por fim, criará uma joint venture com o grupo de participação igualitária.

A MPX vai manter 50% da sua carteira de empreendimentos térmicos não contratados e repassará a outra metade à joint venture. No total, esses projetos tem capacidade para gerar 10,35 gigawatts (GW) de energia. A joint venture também ficará com projetos de energia renovável e as atividades de suprimento e comercialização da MPX.

Em teleconferência, Eike confirmou ter negociado com outros grupos, mas viu o melhor potencial na E.ON. "Falamos com todos, mas no final casamos com a noiva certa", disse. Já o presidente da E.ON, Johannes Teyssen, negou que a MPX fosse sua segunda opção após a tentativa frustrada de compra de 22% da EDP, em dezembro. As negociações com Eike são anteriores e duraram meses. "Esse era o nosso plano A", afirmou.

A joint venture deve participar do próximo leilão A-3, em que entram projetos que devem começar a gerar energia três anos após a realização da concorrência, prevista para março.

Um dos principais interesses da MPX na aproximação com a E.ON é a facilidade no acesso a capital. "A MPX passa a ter acesso farto e barato a financiamento e potencial de caixa praticamente inesgotável para expansão de capacidade instalada, que pode até dobrar em 2012", disse o analista de energia da Ativa, Ricardo Corrêa.

Carvão. Para concretizar a cisão dos ativos de carvão, Eike depende da aprovação da conversão de debêntures da MPX em ações ordinárias, por parte dos detentores desses papéis. A partir daí, os ativos vão para a CCX, empresa listada de forma independente no Novo Mercado da BM&FBovespa.

Parte da produção colombiana, com carvão de alta qualidade, será remetida para a América do Sul. A operação começa em 2013, com 5 milhões de toneladas por ano, podendo chegar a 35 milhões de toneladas. Além do carvão colombiano, ficaram de fora do negócio com a E.ON os empreendimentos de geração de 3 GW da MPX já contratados.

Apesar de o acordo ser avaliado como positivo, as ações fecharam em queda de 5,9%, com acionistas realizando lucro ou minoritários se desfazendo de papéis diante de uma diluição prevista.

O analista Rafael Andreata, da Planner, diz que a E.ON pagará um prêmio para entrar na MPX, já que avaliou a brasileira em R$ 7,5 bilhões, sem incluir a operação colombiana. O valor de mercado da MPX é de R$ 6,3 bilhões.

Os executivos não detalharam os planos de investimentos da joint venture, que prevê alcançar 20 mil megawatts de energia, sendo 11 mil já licenciados. Mas informaram que, em geral, gasta-se R$ 1 bilhão para cada 1 GW de energia térmica a gás, e R$ 2 bilhões em térmicas a carvão.

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