Adriano Ishibashi/Estadão
Adriano Ishibashi/Estadão

Eike continua ‘sonhador’, ‘empreendedor’ e ‘caótico’

Mesmo fora da linha de frente, empresário se encontra com possíveis investidores e tenta desenvolver novos negócios

Mariana Durão e Mariana Sallowicwz, O Estado de S.Paulo

16 de junho de 2014 | 02h00

Apesar do golpe sofrido com a dissolução de seu império, Eike Batista mantém a veia empreendedora. Nos bastidores, o empresário tenta articular novas parcerias com potenciais sócios estrangeiros, em reuniões no País e no exterior.

Mesmo fora da linha de frente, permanece em contato com executivos das empresas que fundou para acompanhar suas atividades e trocar ideias.

Fontes contam que, aos 57 anos, o dono da EBX mantém o estilo "sonhador", "empreendedor" e "caótico". As movimentações incluem, por exemplo, visitas com investidores ao Porto do Açu, em São João da Barra (RJ). No dia da aprovação do plano de recuperação da OGX, o advogado Sérgio Bermudes, que assessora a empresa, afirmou que Eike trabalha 24 horas por dia no desenvolvimento de novos negócios e soluções para as pendências da petroleira.

Mas uma volta do empresário ao mercado ainda é considerada complicada, principalmente pela perda de seu capital político junto ao governo.

Também pesam as investigações do Ministério Público Federal (MPF) e da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) por suposto uso de informação privilegiada, manipulação de mercado e lavagem de dinheiro.

Sem crédito na praça no auge da crise, Eike pôs em liquidação também projetos fora do mercado de ações. O processo de desmanche do império X chegou à SIX Semicondutores, empresa que fabricará chips em Ribeirão das Neves, região metropolitana de Belo Horizonte, à Bolsa de comercialização de energia BRIX e ao Hotel Glória, administrado pelo braço imobiliário do grupo, a REX.

Primeiro cinco estrelas do País, o hotel carioca foi vendido à suíça Acron por R$ 200 milhões em fevereiro. Um mês antes, fora anunciada a transferência dos 33,02% da EBX na SIX para os argentinos do Grupo Corporación América. Também neste ano, a IMX, empresa de entretenimento de Eike, reduziu participação na Rock World, detentora da marca Rock in Rio, de 50% para 20%.

A EBX negocia ainda a transferência do projeto hoteleiro no edifício do Morro da Viúva, na zona sul do Rio, para a francesa Natekko. O negócio, entretanto, tem que ser aprovado pela diretoria do Clube de Regatas do Flamengo, dono do edifício, concedido para exploração por um período de 25 anos renováveis. Já a concessão de uso da Marina da Glória, no Rio, foi repassada à BRM Holding de Investimento Glória S.A. 

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