Eike desiste de termelétricas na divisa com Bolívia

Em retaliação ao governo boliviano, que ameaça expulsar do país a empresa EBX - que se preparava para investir US$ 330 milhões na construção de um complexo siderúrgico - o empresário Eike Batista declarou hoje que não só suspendeu o empreendimento, como também desistiu de construir duas usinas termelétricas na divisa entre Bolívia e Brasil. As chamadas Termopantanal 1 e 2 seriam instaladas cada uma num lado da fronteira e consumiriam o gás boliviano. "Nos sentimos traídos. E traição a gente só aceita uma vez", disse o empresário, que atua em mineração e energia no Brasil, Chile e Argentina. As duas usinas já estão listadas junto à Empresa de Pesquisa Energética (EPE) para o leilão de energia nova que a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) realiza no próximo dia 12 de junho. Teriam fortes chances de serem habilitadas e concorrer na licitação, por possuírem contrato com a Petrobrás-Bolívia para fornecimento diário de 1 milhão de metros cúbicos de gás natural. O lastro físico é condição eliminatória para que as usinas sejam levadas a leilão e as duas são raras exceções entre os cerca de 5 mil MW listados para serem habilitados. O grupo EBX chegou a investir US$ 6 milhões na construção de um ramal de dutos que liga as plantas ao gasoduto Brasil-Bolívia. "Não temos confiança de que este contrato possa ser mantido diante do que estamos vendo. O presidente Lula teve como grande mérito no cenário internacional o fato de ter honrado todos os contratos. Isso foi um divisor de águas. Não é o que está acontecendo na Bolívia com todos os Compromissos sendo desonrados", afirmou, completando que "não há como transferir estas plantas, porque foram concebidas para operar especificamente naquela região, mas estamos dispostos a negociar o gasoduto já construído com algum grupo que queira correr este risco do investimentos". Ao contrário das usinas térmicas, entretanto, o empresário afirmou que deve transferir os investimentos de US$ 330 milhões que seriam aplicados no complexo siderúrgico da Bolívia para outra localidade ainda não escolhida. As possibilidades analisadas estão entre os estados do Amapá e Mato Grosso, ou o Paraguai. A decisão será tomada dentro dos próximos seis meses, quando ocorrerá simultaneamente o desmonte do empreendimento boliviano. Investimentos Segundo Batista, pelo menos US$ 60 milhões já haviam sido aplicados na instalação do primeiro de quatro fornos da siderúrgica, que estava apto a operar desde março. Um segundo forno entraria em junho. Já os demais tiveram sua instalação abortada após as declarações do presidente Evo Moralez no programa Roda Viva, que foi ao ar anteontem, pela TV Cultura. Segundo ele, já haviam sido investidos no complexo siderúrgico cerca de US$ 60 milhões, dos quais pelo menos US$ 40 milhões serão recuperáveis quando os fornos começarem a operar em outra localidade. Batista ainda acredita que deverá gastar mais US$ 20 milhões no desmonte e transferência para outra região. O projeto da siderúrgica previa a construção de uma usina que usaria minério de ferro importado de uma mina de propriedade da empresa de batista no Mato Grosso do Sul. A usina, segundo ele, foi concebida para utilizar 340 mil metros cúbicos de gás natural por dia (que já haviam sido contratados junto à Petrobras-Bolívia) e representariam 20% do combustível necessário para o funcionamento da unidade. Outros 10% viriam de coque e a maior parte do carvão vegetal a ser produzido em área em que já está previsto o desmatamento.

Agencia Estado,

25 Abril 2006 | 20h22

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