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Eike negocia parceria com a Foxconn

Empresário brasileiro disse já ter se reunido com executivos do grupo taiwanês para fabricar conjuntamente iPads no Brasil

EDUARDO RODRIGUES / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

22 de outubro de 2011 | 03h06

O empresário Eike Batista disse ontem, após encontro com a presidente Dilma Rousseff, que o grupo EBX tem interesse em firmar uma parceria com a taiwanesa Foxconn para produção de tablets, como o iPad, no Brasil. Segundo ele, porém, o acordo final entre os dois grupos ainda depende de maiores estudos e detalhamentos, para que a engenharia financeira do processo possa ser definida.

"O grupo EBX adora trazer modernidade e eficiência para o Brasil e esse projeto se encaixa perfeitamente nisso", disse o empresário. Batista destacou que a entrada da companhia brasileira no negócio garante a transferência de tecnologia para o País, que é um dos objetivos da política industrial do governo. "É um sonho para o Brasil entrar de vez nesse mundo da informática e da tecnologia", completou.

De acordo com o executivo, o mercado brasileiro para o produto é bastante promissor, visto que cresce a uma velocidade maior do que a verificada em mercados maduros, como a Europa e os Estados Unidos, por exemplo. "O potencial é enorme. Imagine os 70 milhões de estudantes brasileiros, cada um com um tablet", disse.

Reunião. De acordo com Batista, o presidente da Foxconn, Terry Gou, se reuniu com ele acompanhado por 18 técnicos da empresa, demonstrando o interesse do grupo taiwanês na parceria. "Falta acertarmos o detalhamento da operação para fecharmos o negócio", concluiu.

Entre os detalhes que ainda faltam ser definidos está a cidade onde a fábrica da Foxconn será instalada. Apesar de o grupo taiwanês já possuir uma unidade em Jundiaí (SP), o ministro de Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, disse que seis Estados disputam a fábrica. O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, tenta levar o empreendimento para seu Estado, Minas Gerais.

A fabricação de um tablet brasileiro foi encomendada pela presidente Dilma Rousseff a seus principais auxiliares antes mesmo de tomar posse.

Desde então, é grande a expectativa na equipe de governo quanto à chegada de investimentos na área no País.

Mercadante chegou a garantir - durante visita da presidente Dilma à China, em abril - que os primeiros iPads "Made in Brazil" estariam nas lojas já em julho deste ano. Essa promessa, porém, não foi cumprida, e ainda não há data prevista para que isso ocorra.

Na ocasião, o ministro também afirmou que executivos da Foxconn teriam sinalizado com investimentos de até US$ 12 bilhões no Brasil nos próximos cinco anos. Nesta semana, porém, o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, afirmou que o banco de fomento estuda conceder um financiamento à companhia chinesa para a instalação da fábrica.

Os 100 mil empregos que, segundo Mercadante, poderiam ser criados com a instalação da fábrica no País, também mostraram estar fora da realidade. Até o momento, a empresa não teria conseguido contratar mais do que algumas centenas de profissionais de engenharia. Atualmente, todo o setor de eletrônica nacional não conta com mais do que 175 mil postos de trabalho.

Petróleo. Após o encontro com Eike Batista, Fernando Pimentel afirmou que a presidente Dilma participará do início da exploração de um campo de petróleo da OGX, na Bacia de Campos, no fim deste ano. Segundo ele, o potencial desse campo é de 5 bilhões de barris.

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