Tasso Marcelo|Estadão
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Eisa entra com pedido de recuperação judicial

Após demitir cerca de 3 mil funcionários, estaleiro alega ‘total impossibilidade’ de manter suas operações por causa da falta de condições financeiras

Mônica Ciarelli, Fernanda Nunes, O Estado de S.Paulo

15 Dezembro 2015 | 21h54

RIO - Um dia após fechar as portas e demitir três mil trabalhadores, o Estaleiro Ilha S.A (Eisa) anunciou nesta terça-feira, 15, a entrada no processo de recuperação judicial, conforme antecipado pelo Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado. Em nota, a empresa afirma ter tomado essa “decisão difícil” com objetivo de preservar os estaleiros e permitir que as atividades sejam retomadas o mais breve possível, garantindo que os funcionários demitidos terão prioridade na recontratação.

O Eisa alega “total impossibilidade de manter os estaleiros em plena atividade no momento, devido à falta de condições financeiras”. A companhia é controlada pelo grupo Synergy, do empresário German Efromovich, que também controla o estaleiro Mauá, em Niterói, e a companhia aérea Avianca. O pedido de recuperação engloba as atividades na Ilha do Governador e na subsidiária Eisa Petro Um, criada para construir navios para Petrobrás no estaleiro Mauá. 

Em julho do ano passado, o Eisa chegou a ter suas operações interrompidas e os funcionários foram colocados em férias coletivas. 

No comunicado, a empresa lamenta as demissões e a atual situação financeira, mas ressalta que entregou há poucos dias para um de seus principais clientes uma grande embarcação que está em teste em mar, o que demonstraria o comprometimento de manter todos os contratos assim que obtenha um “entendimento que assegure fluxo de caixa compatível com os pagamentos que terá pela frente, especialmente salários e encargos sociais.” 

Crise naval. A crise no setor naval já provocou a demissão de quase 20 mil trabalhadores no Brasil este ano. Só no Rio, três estaleiros enfrentam problemas financeiros. Além do Eisa e do Mauá, no fim de novembro, em Angra dos Reis (RJ), foi a vez do Brasfels, do grupo de Cingapura Keppel Offshore & Marine, anunciar a extinção de 2 mil postos de trabalho. Antes deles, o Sindicato Nacional da Indústria de Construção e Recuperação Naval Offshore (Sinaval) já contava 12 mil demissões em diversos estados.

Vitrine dos governos petistas, o setor naval entrou em crise quando fornecedores da Petrobrás passaram a ter problemas com a Polícia Federal, que investiga casos de corrupção na Operação Lava Jato. Com as denúncias, bancos e instituições de fomento reforçaram o controle para a liberação de financiamentos, dificultando o acesso ao capital. Além disso, o corte do orçamento da Petrobrás atingiu também o caixa das fornecedoras.

Ao demitir, os estaleiros alegam que são obrigados a cortar custos ou mesmo fechar as portas, porque não estão sendo pagos pelos seus clientes, a maioria dos fornecedores da Petrobrás. Entre os trabalhadores, o temor é reviver a crise dos anos 80, quando o setor foi praticamente extinto no Brasil. 

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