Kai Pfaffenbach/Reuters
Kai Pfaffenbach/Reuters

El-Erian alerta para o ‘risco Deutsche’

Para economista, banco alemão não tem o potencial de estrago do Lehman Brothers, mas pode desencadear uma crise nas finanças globais

Altamiro Silva Junior, correspondente, O Estado de S.Paulo

30 Setembro 2016 | 22h39

NOVA YORK - O conselheiro econômico do grupo Allianz e ex-presidente da gestora Pimco, Mohamed El-Erian, afirmou que não vê o Deutsche Bank como banco capaz de causar um “momento Lehman Brothers”, o banco norte-americano que quebrou e desencadeou a crise financeira mundial de 2008. Mas o profissional avalia, em entrevista ao canal de televisão ‘CNBC’, que a instituição alemã representa um grande risco para o mercado financeiro mundial.

Para EL-Erian, os problemas do Deutsche Bank podem ser mais um “vento contrário” para o crescimento europeu e ainda representam um risco de contágio que pode reverberar em todo o mercado financeiro mundial. Além disso, o banco alemão é um lembrete para os agentes da fragilidade das instituições financeiras da zona do euro.

“Não é um momento Lehman, não é 2008”, disse o economista ao ser questionado pelo apresentador da CNBC se os problemas com o banco são uma crise passageira ou uma questão mais séria. “Isso pode criar contágio”, afirmou El-Erian, que já foi de um conselho econômico do presidente Barack Obama.

Os problemas do Deutsche, que já registrou queda de mais de 50% em suas ações este ano e viu seu valor de mercado nos EUA bater em apenas US$ 15 bilhões, vão dificultar ainda mais a questão sobre política bancária na Europa, pois mostram “a fraqueza das políticas macroprudenciais”, ressaltou o economista.

Os Estados Unidos, disse El-Erian, estão com uma economia em situação muita mais robusta que na Europa e um sistema bancário mais forte. Para ele, o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) deve elevar os juros em dezembro, mas isso ainda depende de alguns fatores, como os indicadores e a estabilidade financeira.

Mercado. As ações do Deutsche Bank se recuperaram da forte queda registrada no início do dia, quando chegou a recuar 8,7% na bolsa alemã. Em Frankfurt, os papéis encerraram o último pregão do dia com valorização de 6,39%. No ano, o banco acumula perda de cerca de 50%.

No fim da manhã, porém, relatos de mídia sugeriram que o Departamento de Justiça dos Estados Unidos pode reduzir de US$ 14 bilhões para US$ 5,4 bilhões o valor a ser pago pelo banco para encerrar investigações sobre sua atuação no mercado de títulos imobiliários no período que antecedeu a crise financeira de 2008. / COM DOW JONES NEWS WIRE

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