Eldorado tem o primeiro lucro de sua história

Dólar forte, preço alto da celulose e redução de custo fizeram companhia lucrar R$ 334 milhões no terceiro trimestre

Mônica Scaramuzzo, O Estado de S.Paulo

23 Outubro 2015 | 02h04

A Eldorado Celulose, controlada pela J&F, da família Batista, dona do grupo de alimentos JBS, dona da Friboi, divulgou nesta quinta-feira, 22, seu melhor resultado da história da companhia, com sede em Três Lagoas (MS). A companhia encerrou o terceiro trimestre com lucro líquido de R$ 334 milhões, contra prejuízo líquido de R$ 184 milhões no mesmo período de 2014. A receita no terceiro trimestre alcançou R$ 911 milhões, um avanço de 52,6% em relação ao mesmo período do ano passado.

No acumulado de janeiro a setembro, o lucro líquido ficou em R$ 267 milhões, revertendo prejuízo de R$ 355 milhões de igual período de 2014.

"Além do fator dólar, aumento dos preços da celulose no mercado internacional nos últimos meses, a Eldorado trabalhou para reduzir os custos operacionais", afirmou ao Estado o presidente do grupo, José Carlos Grubisich. Houve também melhorias operacionais. "Com a inauguração, em junho, de nosso terminal próprio em Santos, conseguimos reduzir despesas logísticas de até R$ 100 milhões anualizados. Outros fatores, como a redução da distância da matéria-prima, que se deslocava de São Paulo até Mato Grosso do Sul, gera economia de R$ 4 milhões com pedágio ao mês."

A Eldorado, que tem uma fábrica com capacidade para produzir 1,7 milhão de toneladas de celulose, ainda sofre com seu forte endividamento. A dívida líquida gira em torno de R$ 7,8 bilhões. No entanto, segundo Grubisich, a relação dívida líquida/Ebtida (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) em dólar, que chegou a 14 vezes, hoje está em 3,8 vezes atualmente. "Temos em caixa R$ 1,7 bilhão disponível. Estamos com forte programa de redução dos custos e rolagem de dívida", afirmou.

Projeto. Com o cenário favorável, o grupo pretende colocar em pé sua nova planta no primeiro semestre de 2018, que deverá ter investimentos de R$ 8 bilhões na parte industrial. A empresa pretende buscar linhas de crédito fora buscar financiar o projeto e analisa oportunidades de consolidação no Brasil.

A holding J&F é uma das interessadas na participação de 29,42% da família Ermírio de Morais na líder de mercado Fibria. A Votorantim negou que a família queira vender sua fatia. Grubisich não quis comentar o assunto.

 

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