Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Ele viu o mundo dos negócios se globalizar

Ron Daniel, 88 anos, que ajudou McKinsey a se tornar global, é espécie de ‘guru’ da consultoria

Fernando Scheller, O Estado de S.Paulo

26 Dezembro 2017 | 05h00

O executivo Ron Daniel não só presenciou a globalização da economia em primeira mão como fez parte da construção do ecossistema global de negócios. Aos 88 anos, ele completou este ano seis décadas como executivo da americana McKinsey – e viu não só a própria consultoria, mas muitas corporações, ganharem escala mundial.

Em 1957, quando ingressou na consultoria, Daniel lembra que a empresa tinha 110 funcionários. “Era tudo diferente. Todos os funcionários eram homens e americanos, com exceção de um inglês”, disse ele, em entrevista ao Estado, durante visita a São Paulo, no mês passado.

Foi a partir dos anos 1960 que a McKinsey começou a testar sua fórmula de gestão em companhias fora do território americano. Os primeiros passos foram na Europa, onde o maior desafio era a falta de escolas de negócios no pós-guerra, mas havia uma certa semelhança cultural com o jeito americano de se fazer negócios.

O primeiro grande teste internacional, no entanto, veio da gigante anglo-holandesa Royal Dutch Shell, que já era atendida pela McKinsey na Europa, em uma operação na Venezuela. Foi a partir desse trabalho que ficou claro que seria possível aplicar os conceitos da consultoria no mundo todo.

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No momento em que esse movimento começava a ganhar velocidade, Daniel se tornou sócio da sênior da McKinsey, em 1968. Entre 1976 e 1988, foi diretor-geral da consultoria, estando à frente da transformação global do negócio. 

“A McKinsey é uma empresa totalmente diferente hoje”, afirmou Daniel. Ele lembrou que a companhia hoje tem 15 mil funcionários, espalhados por mais de cem países. Do total de funcionários, nas últimas seis décadas, a participação de americanos passou de quase 100% para 20%. “E faz 20 anos que não temos um diretor-geral dos Estados Unidos”, completou.

‘Guru’. Mesmo depois de deixar o dia a dia do negócio, ele continuou prestando serviço à consultoria – hoje, dedica três dias de trabalho por semana a projetos relacionados à McKinsey. Uma de suas funções é de ser uma espécie de “guru” cultural da empresa, viajando o mundo para ministrar palestras com funcionários da companhia.

O consultor se autodefine como um “animal em extinção”. “Eu não acredito que, no mundo em que vivemos hoje, será possível que uma pessoa trabalhe por 60 anos em uma só companhia”, disse. 

Matemático de formação, Daniel ajudou a operar o primeiro computador em larga escala usado pela Marinha americana. “Apesar de ser jovem, tive a experiência de ensinar computação a oficiais de patentes mais altas”, contou. “Na hora em que saí da Marinha, tinha duas opções: ou ia trabalhar na IBM ou em uma consultoria.”

Ele escolheu a segunda opção e se candidatou a empregos nas quatro principais empresas do ramo na época. E sabe bem por que optou pela McKinsey. “Passei um dia em cada empresa. Embora os altos executivos das empresas fossem todos brilhantes, achei que os colegas mais jovens da McKinsey tinham uma inteligência impressionante. Isso fez a diferença.”

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