Dario Oliveira|Estadão
Dario Oliveira|Estadão

Eleição de Trump pode atrasar abertura de capital, diz presidente da BM&FBovespa

Edemir Pinto diz que há potencial grande para IPOs no ano que vem, mas preocupação externa pode impor cautela por parte dos investidores

Fernanda Guimarães, Broadcast

14 Novembro 2016 | 11h56

SÃO PAULO - A eleição de Donald Trump nos Estados Unidos, na semana passada, traz algumas incertezas para o mercado e poderá trazer alguma revisão para a expectativa em relação às ofertas iniciais de ações (IPO, na sigla em inglês) para o próximo ano. Segundo o diretor presidente da BM&FBovespa, Edemir Pinto, os investidores estrangeiros devem agora analisar o discurso de Trump para definirem como será a análise em torno dos países emergentes.

"O Brasil não possui poupança interna e precisa dos estrangeiros para viabilizar os IPOs", disse, em coletiva de imprensa. O executivo lembrou ainda que nos últimos anos os estrangeiros foram responsáveis pela compra de 60% a 70% das ações nas ofertas iniciais.

Edemir disse que o discurso de Trump, após sua vitória, já foi mais ameno do que o observado na campanha, mas que os investidores agora manterão a atenção também para a formação das equipes de governo do novo presidente dos Estados Unidos.

O presidente da BM&FBovespa disse que há um potencial muito grande para IPOs no ano que vem, visto que há muitas ofertas represadas no mercado, mas que esse novo item de preocupação externa pode colocar algum tipo de cautela por parte dos investidores. O executivo já havia afirmado que o mercado teria potencial para cerca de 25 IPOs em 2017, diante de maior clareza no mercado brasileiro, mas também havia alertado que alguma incerteza externa poderia levar a uma revisão desse número.

Edemir disse que ainda poderá haver neste ano uma oferta e explicou que há uma empresa adiantada em seus preparativos. Ainda para 2016, estão na fila já com pedido de registro na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) a oferta da Sanepar e da Tenda.

O executivo disse que o ambiente interno está mais propício, de fato, para as ofertas e que o encaminhamento das medidas de ajuste passam a abrir espaço para melhora da confiança com a economia brasileira. 

Renda fixa. A expectativa é que o fundo de índice (ETF, na sigla e inglês) de renda fixa da BM&FBovespa seja lançado em breve, disseo diretor executivo de Produto da Bolsa, Juca Andrade, que há cerca de 15 dias passou a ocupar o cargo.

Hoje os ETFs listados na Bolsa brasileira são espelhados nos índices de renda variável. Todas as questões regulatórias, em termos de tributação, já foram equacionadas e agora o mercado aguarda o lançamento do primeiro produto. A BM&FBovespa já informou que internamente as questões tecnológicas estão acertadas. 

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