Eleição grega afasta implosão do euro, mas não elimina tensão com a Espanha

Investidores continuam se desfazendo de ativos espanhóis, à medida que crescem os temores de necessidade de um resgate total ao país, e não somente aos bancos

Daniela Milanese, correspondente ,

18 de junho de 2012 | 14h17

O resultado das eleições na Grécia afastou o risco iminente de implosão da zona do euro e evitou uma nova onda de aversão, mas não eliminou as tensões sobre a Espanha. O país segue como principal foco de preocupação dos mercados internacionais, segundo analistas consultados pela Agência Estado.

Investidores continuam se desfazendo de ativos espanhóis, à medida que crescem os temores de necessidade de um resgate total ao país, e não somente aos bancos. A Bolsa de Madri fechou em queda próxima a 3% hoje. Os yields dos bônus de dez anos operam acima do nível perigoso de 7% e os CDS de cinco anos atingiram o patamar recorde de 627 pontos nesta segunda-feira. Por tabela, a Itália também acaba contaminada pelas especulações - a Bolsa de Milão recuou perto de 3% hoje.

"Evitar a saída da Grécia da zona do euro no curto prazo retira a possibilidade de grande choque negativo na economia global por enquanto, mas a confiança dos investidores na Espanha já estava frágil e foi exacerbada pela capitalização dos bancos", afirmou Lee Hardman, estrategista do Bank of Tokyo-Mitsubishi.

O anúncio da ajuda de até € 100 bilhões da União Europeia para as instituições espanholas, na semana passada, acabou piorando a situação. A falta de detalhes do plano e o reconhecimento implícito de que o país perdeu a capacidade de se financiar no mercado trouxeram alertas de que um resgate maior poderá ser necessário.

É aguardada para a quinta-feira, 21, a divulgação do resultado da auditoria independente para calcular a real necessidade de recursos das instituições espanholas, que sofrem com o estouro da bolha imobiliária e o agravamento da recessão.

"Apesar do resultado benigno das eleições na Grécia, a taxa de retorno dos títulos espanhóis disparou hoje e há temores de que o governo tenha de aceitar um resgate total, para financiar também o déficit fiscal", disse Thomas Costerg, analista do Standard Chartered.

Se necessário, a Europa teria recursos para salvar a Espanha, mas não para resgatar a Itália. Daí a insegurança e a especulação dos investidores contra os ativos italianos. O atual mecanismo de resgate (EFSF) tem capacidade de € 400 bilhões. Como Grécia, Irlanda e Portugal já usaram € 192 bilhões, sobrariam € 248 bilhões, segundo cálculos do Renaissance Capital. Um eventual resgate espanhol contaria com o reforço do Fundo Monetário Internacional.

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