Eleição na CNA pode ter auditoria

Em disputa pela presidência da entidade, candidatos Fábio Meirelles e Kátia Abreu trocam acusações

Fabíola Salvador, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

23 de junho de 2008 | 00h00

A acirrada disputa que envolve o comando da poderosa confederação que representa os produtores rurais terá hoje, em Brasília, um novo e decisivo capítulo. Estarão em lados opostos da mesa o atual presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Fábio Meirelles, que é candidato à reeleição, e a senadora Kátia Abreu (DEM-TO), que vai se candidatar pela primeira vez ao posto nas eleições que serão realizadas no final deste ano. Em reunião extraordinária do conselho da confederação, que reúne os 27 presidentes das federações estaduais de agricultura, será decidido se haverá a contratação de uma empresa de auditoria para inspecionar o sistema informatizado da CNA. A contratação foi sugerida pela senadora, que acusa, em conversas informais, o atual presidente de violar a caixa postal de seu correio eletrônico em busca de arquivos da CNA que possam prejudicar sua campanha.Correligionários da senadora denunciam uma "campanha suja". Kátia Abreu chegou a protocolar na última sexta-feira uma representação na Polícia Civil de Brasília apontando a "violação", mas não citou o nome de Fábio Meirelles na acusação.O atual presidente não aceita a contratação da empresa, mas pode ser obrigado a aceitar a medida, caso essa seja a vontade do conselho. Um grupo ligado à senadora chegou a lacrar a sala de controle do Centro do Processamento de Dados da CNA na última sexta-feira para impedir que "os rastros do crime de violação sejam apagados". O site da CNA está fora do ar desde então.No final de semana, a disputa entre os dois presidenciáveis ultrapassou os portões da luxuosa sede da CNA, que fica no início da Asa Norte, em Brasília. Em entrevista à revista Veja, Meirelles contou ter sido aberta uma investigação para apurar por que a CNA pagou R$ 650 mil para a agência de publicidade Talento.Uma nota fiscal obtida pela revista mostra que R$ 350 mil foram pagos à agência para a "produção de peças para a campanha de estímulo ao voto consciente do produtor rural nas eleições de 2006". A campanha nunca foi veiculada, porque, "com a morte do antigo presidente (Antônio Ernesto de Salvo), perdeu-se o clima, o interesse", explicou a senadora à reportagem da revista. Coincidentemente, a mesma agência foi responsável pela campanha de Kátia Abreu ao Senado. Durante o fim de semana, os dois candidatos foram procurados pela reportagem do Estado para comentar o caso, mas não foram encontrados.Assessores em Brasília e nos Estados disseram que Fábio Meirelles e Kátia Abreu estavam "incomunicáveis" no interior de São Paulo e do Tocantins, suas respectivas bases. Hoje, na CNA, eles devem estar frente a frente pela primeira vez depois da confusão. Presidentes de federações estaduais de agricultura aceitaram comentar o caso na condição de anonimato. "É ano de eleição, mas nunca vi uma baixaria tão grande. É ruim para a imagem da CNA", comentou o presidente de uma federação do Centro-Oeste. O representante de uma outra federação lembrou que a CNA representa os produtores rurais e que não há irregularidades em financiar campanhas de candidatos que se identifiquem com a "causa" do campo.Esse representante lembrou, contudo, que as doações feitas para campanhas eleitorais precisam estar dentro da lei, explicação que será cobrada da senadora na reunião de hoje. "Se a senadora trabalha pelo agronegócio no Congresso Nacional, é claro que os produtores vão apoiá-la, até mesmo com dinheiro. Mas é preciso cumprir a lei eleitoral", afirmou o presidente de uma federação.

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