Clayton de Souza|Estadão
Clayton de Souza|Estadão

'Eleição vai ser decidida ao centro, não necessariamente por candidato de centro', diz André Esteves

O banqueiro, sócio sênior do BTG Pactual, vê uma tendência de moderação das agendas de Bolsonaro e Lula na busca por votos do centro

Eduardo Laguna e Francisco Carlos de Assis, O Estado de S.Paulo

26 de maio de 2021 | 18h02
Atualizado 26 de maio de 2021 | 20h24

Mesmo com a tendência de uma disputa binária entre o presidente Jair Bolsonaro e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições do ano que vem, o banqueiro André Esteves, sócio sênior do BTG Pactual, vê uma tendência de moderação das agendas dos dois potenciais candidatos na busca por votos do centro.

“Apesar de os candidatos que são hoje favoritos serem de polos antagônicos, a eleição vai ser decidida ao centro, não necessariamente por um candidato de centro”, comentou Esteves em painel de encerramento do fórum realizado pelo BTG.

Ele disse que dificilmente um candidato conseguirá vencer a eleição de 2022 sem assumir compromissos com o eleitor de centro, decisivos no resultado da eleição por corresponderem a cerca de 40% da população. “Difícil vencer a eleição sem fazer esse contrato social.”

A expectativa, pontuou Esteves, é de que a racionalidade prevaleça nas eleições do ano que vem, a exemplo da lógica que, em sua visão, vem permitindo o avanço da agenda de reformas no Congresso. “As reformas são uma conquista apartidária, são uma conquista da racionalidade”, assinalou.

Reformas e privatizações

André Esteves também disse que a reforma administrativa e a privatização da Eletrobrás são "altamente populares". “No fundo não é só racionalismo. É pragmatismo", apontou. Ao se referir à necessidade de se fazer a reforma administrativa, ele afirmou que reforma não deve tirar direitos de ninguém.

“Eu sou o maior defensor possível do Estado de Direito, o que inclui o direito do funcionalismo. Estamos falando de uma futura. Queremos ter um plano de carreira. Nós vamos ter um plano de carreira bem estabelecido ou o cara que for contratado no ano que vem estará no topo da carreira em quatro anos e passará outros 30 anos desestimulado sobre o que seria o próximo passo”, disse.

Já sobre a reforma tributária, Esteves defendeu o fatiamento do projeto. Para ele, não adianta ser muito ambicioso com a reforma porque o próprio debate do tema no Legislativo vai impedir grandes avanços. “Acho melhor irmos aos poucos”, disse. Porém, segundo o executivo, a sociedade está com um peso nas costas porque o Brasil tem a maior carga fiscal entre os emergentes e por isso não existe mais o caminho fácil para se ampliar a arrecadação.

“A gente tem que desonerar. As empresas do setor real pagam mais ou menos 34%, o setor financeiro neste momento 50% - no final do ano volta para 45%. Não existe em nenhum outro lugar do mundo um imposto desse tipo”, comentou o sócio do BTG. Segundo ele, nos EUA, onde o governo Biden discute aumento de impostos, pode chegar a 26%. Não há, de acordo com o banqueiro, condições competitivas no Brasil se o imposto pago é de 34% a 50%.

No entanto, ele avaliou que a agenda de reformas tem sido guiada pela racionalidade num Congresso que considerou “produtivo”. “As reformas são uma conquista apartidária, são uma conquista da racionalidade”, disse Esteves.

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