Gabriela Biló/Estadão - 14/12/2021
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Fábio Alves
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Eleição coloca em xeque a percepção de que pior já passou com a PEC dos Precatórios

Os investidores vão encarar um 2022 que pode resultar em desfecho ainda mais extremo para o Brasil

Fábio Alves*, O Estado de S.Paulo

15 de dezembro de 2021 | 04h00

Ressabiados por um ano em que a inflação e os juros subiram bem mais do que o previsto e a forte recuperação da economia, após o pior momento da pandemia de covid, minguou com rapidez, os investidores vão encarar um 2022 que pode resultar em desfecho ainda mais extremo para o Brasil.

Estariam os investidores precificando corretamente os riscos para a economia brasileira em 2022? Basicamente, são dois os maiores riscos domésticos e eles estão relacionados: o fiscal e o político. Para o primeiro, o mercado está relativamente otimista – ou será pura leniência? Para o segundo, a visibilidade é baixa.

Apesar de o trecho promulgado da PEC dos Precatórios ter alterado as regras do teto de gastos, os preços dos ativos brasileiros e as projeções de indicadores fiscais refletem a visão de que, apesar da percepção de quebra, não houve um abandono total dessas regras. E que o governo e o Congresso não teriam perdido completamente o pudor de gastar desenfreadamente no ano da eleição presidencial.

Tanto que o mercado está projetando um resultado primário entre 0,5 ponto e 1 ponto porcentual pior do que se imaginava. Na mais recente pesquisa Focus, a mediana das projeções de analistas prevê que o déficit primário esperado de 0,6% do PIB neste ano vai aumentar para 1,20% do PIB em 2022.

Se a percepção fosse de “liberou geral” após a PEC dos Precatórios, que abriu um espaço de mais de R$ 91 bilhões no Orçamento de 2022, essas estimativas já teriam piorado em 3 pontos porcentuais, pelo menos. Mesmo considerando que o Brasil perdeu sua única âncora fiscal com as mudanças no teto de gastos, boa parte dos investidores acredita que, após a aprovação da PEC, as possibilidades institucionais para expansão maior dos gastos em 2022 passaram a ser remotas.

É aí que a eleição presidencial coloca em xeque a percepção de que o pior em termos fiscais já passou com a PEC. Quem garante que se a aprovação do presidente Jair Bolsonaro seguir em baixa e ele perder mais terreno nas pesquisas de intenção de voto, o governo e os líderes do Centrão não encontrariam meios criativos para gastar mais no ano que vem?

E se o ex-juiz Sérgio Moro (Podemos) subir muito nas próximas pesquisas, ameaçando abocanhar a vaga do presidente no segundo turno, como reagirá Bolsonaro? E se o ex-presidente Lula vencer a eleição, como seria o seu novo governo – parecido com o de 2003, mais ortodoxo na economia, ou com o seu segundo mandato, mais gastador? Antecipar cenários para 2022, hoje, teria a mesma precisão do que jogar Tarô. 

*COLUNISTA DO BROADCAST

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