ALBERT GEA/REUTERS
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Eleições na Catalunha devem ter impacto limitado nos mercados, dizem analistas

Mesmo que o resultado da seleições com vitória da esquerda seja um "baque" para o primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, região não deve voltar a pedir independência

Gabriela Korman, O Estado de S. Paulo

22 Dezembro 2017 | 10h49

O resultado das eleições na Catalunha deve pesar sobre os mercados apenas no curto-prazo, e "não será uma questão" para os investidores no longo-prazo, segundo avaliação do Commerzank. Analistas do banco apontaram que a questão da independência da Catalunha perdeu o senso de urgência e, no futuro, os investidores devem voltar o foco para as perspectivas sólidas da economia da Espanha. Mesmo assim, se a economia regional da Catalunha for atingida pelas incertezas políticas, isso pode acabar impactando a economia nacional, de acordo com os analistas.

Partidos políticos separatistas declararam vitória nesta quinta-feira, 21, nas eleições regionais da Catalunha, na Espanha. Os números mostraram que o Partido Unionista recebeu o maior número de votos. Ao mesmo tempo, o partido Cidadãos, contra a independência da região, conseguiu 37 assentos, com cerca dos 99% dos votos contados.

O Nordea também estima que o impacto nos mercados deve ser limitado, já que uma declaração unilateral de independência não deve ocorrer novamente, mesmo que o resultado seja um "baque" para o primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy. Segundo o estrategista-chefe do Nordea, Jan Von Gerich, negociações "longas e difíceis" devem seguir agora, à medida que os partidos separatistas devem tentar formar um governo na Catalunha.

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Ao mesmo tempo, a Capital Economics alerta que o impacto econômico sobre a Espanha pode se tornar "severo", caso a Catalunha retome os esforços pela independência da Espanha. No entanto, como isso é improvável, mesmo com o resultado que favoreceu os partidos separatistas, a consultoria estima que não deve haver um impacto econômico significativo.

É mais provável agora que a Catalunha pressione pelo aumento de sua autonomia econômica, não por uma independência, segundo a Capital Economics. O governo nacional já considera dar à região mais espaço sobre questões fiscais. Além disso, a consultoria estima que a economia espanhola continuará a ter uma boa performance.

"No geral, assumindo que a Catalunha permaneça como parte da Espanha e que obtenha mais autonomia fiscal, isso não deve pesar sobre o Produto Interno Bruto (PIB) espanhol", destacou. 

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