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Eles constroem aviões pelo prazer de voar

Aeronaves experimentais devem ser aprovadas pela Anac; segmento já movimenta cerca de R$ 4 milhões por ano

Alberto Komatsu, O Estadao de S.Paulo

29 de setembro de 2007 | 00h00

Um segmento ainda pouco conhecido, mas crescente na aviação brasileira já movimenta cerca de R$ 4 milhões por ano no Pais e conta com 1 mil entusiastas. São ex-pilotos, executivos e engenheiros que constroem os próprios aviões como meio de transporte ou lazer, já que não podem ter uso comercial.O gasto médio em cada projeto é de R$ 50 mil. Só este ano, estima a Associação Brasileira de Aviação Experimental (Abraex), serão construídas 80 aeronaves com até quatro lugares.Os projetos tem de ser supervisionados por um engenheiro aeronáutico e aprovados pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).O presidente da Abraex, Cláudio Berretta, diz que o número de aviões experimentais que são construídos a cada ano é superior ao crescimento da frota de aeronaves da aviação comercial. De acordo com ele, conversações estão sendo realizadas com a Anac para que o número de horas voadas por pilotos de aviões experimentais possa ser contabilizada como experiência para a formação de pilotos comerciais, o que atualmente é vetado.''''O custo de voar num avião experimental é cerca de metade do custo de voar em um avião homologado'''', diz Berretta. Por isso, diz ele, seria mais fácil formar novos pilotos com a ajuda dos aviões construídos pelos seus proprietários, o que reduziria a falta de pilotos, um dos maiores empecilhos para a expansão da aviação comercial.O engenheiro mecânico aposentado Francisco Honorato de Oliveira, de 62 anos, está construindo seu terceiro avião experimental, com capacidade para 4 pessoas e velocidade máxima de 360km/h. Sua autonomia é de 8 horas de vôo, e o custo é de US$ 140 mil. O projeto da aeronave foi concebido pelo americano Burt Rutan, famoso por projetar o avião que deu a volta ao mundo sem reabastecer, pilotado pelo bilionário Steve Fosset - que desapareceu recentemente após decolar com seu avião particular.As duas outras aeronaves de Oliveira também foram projetadas por Rutan. A primeira foi um avião de US$ 25 mil, construído com fibra de vidro. O segundo era um avião de quatro lugares e custo de US$ 60 mil. Os aviões experimentais, em São Paulo, decolam e pousam principalmente no Campo de Marte, na zona norte.Num raio de 100 quilômetros do aeroporto, o controle é feito pela torre do próprio local. Ultrapassada essa distância, entra o controle de tráfego aéreo da região em que o piloto pretende ir. Os aviões experimentais são equipados com transponder, equipamento que torna visível o aparelho nos radares. Essas aeronaves podem utilizar qualquer aeroporto, desde que haja intervalo de pouso e decolagem (slot) disponível.''''Gosto de avião desde criança. Nasci próximo ao aeroporto e convivi com o barulho do avião. Meu filho também é piloto'''', afirma o engenheiro. Atualmente, ele voa apenas por lazer, mas usava os aviões que construiu como meio de transporte, pois era responsável pela montagem e manutenção de fábricas em todo o País.Com 12 mil horas voadas como piloto comercial, Berretta, da Abraex, está construindo sua segunda aeronave - um avião conhecido como Wisky 4, projeto italiano que pode chegar a custar US$ 50 mil. ''''Você não consegue ficar sem avião. Piloto agora por lazer, para não perder a mão'''', conta Berretta.A Abraex, em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), concluiu recentemente um projeto desenvolvido totalmente no País. Berretta conta que um protótipo está sendo construído em Vargem Grande do Sul (SP). É um avião de 2 lugares, 650 quilos, com custo de até R$ 55 mil.

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