Eles estão em busca dos campeões da publicidade

Cannes Lions Festival Internacional de Criatividade terá 15 jurados brasileiros

Fernando Scheller, O Estado de S.Paulo

25 de março de 2014 | 02h08

Quando a Copa do Mundo estiver a todo o vapor no Brasil, outra competição vai ocorrer na França. O Cannes Lions Festival Internacional de Criatividade elegerá, entre os dias 15 e 21 de junho, as melhores campanhas de comunicação do ano. Em 2014, o Brasil terá jurados em 15 das 17 categorias, incluindo a "novata" Product Design Lions, que se dedicará a produtos inovadores e às campanhas criadas para lançá-los. O 'Estado' é o representante oficial do Cannes Lions no Brasil.

Reunidos ontem para um almoço em São Paulo, os jurados da edição 2014 vão a Cannes para "garimpar" ideias realmente inovadoras. Vencedor do Grand Prix (grande prêmio) na categoria Titanium em 2013 - considerada a mais importante do festival -, o vice-presidente executivo de criação da Ogilvy Brasil, Anselmo Ramos, fará parte do júri de Titanium & Integrated este ano. "Queremos encontrar campanhas que tenham o poder de fazer um publicitário dizer: 'eu queria ter tido esta ideia'", resume o publicitário.

No ano passado, a Ogilvy Brasil foi eleita agência do ano em Cannes. A campanha Retratos da Beleza Real, criada para a Dove, da Unilever, ficou conhecida no mundo inteiro. Apesar de idealizada pela filial brasileira da Ogilvy, a peça publicitária teve alcance global: foi filmada em inglês, com equipe americana e exibida em mais de 30 países. A Ogilvy Brasil deve lançar seu novo trabalho para a Dove - que também terá exibição mundial - no início de abril.

Ramos diz que, após o sucesso de Retratos da Beleza Real com o público e em festivais, o desafio é continuar a respeitar a estratégia de comunicação da marca, mas sem repetir ideias. "A Dove vem falando da beleza real da mulher há mais de dez anos", explica o publicitário. "O posicionamento da marca continua o mesmo, mas a execução será nova. Não faremos retratos falados nesta nova campanha."

Jurados de outras categorias também estão preocupados em analisar se as campanhas fazem bom uso de diversas ferramentas de comunicação. O vice-presidente de criação e estratégia da LiveAd, Mauro Silva, vai julgar PR Lions. Ele diz que as relações públicas podem ajudar uma campanha a transcender seu período de veiculação. "O trabalho de relações públicas exige continuidade, pois pode melhorar a reputação de uma empresa no longo prazo."

Após participar da criação de uma campanha da Talent que ganhou o Grand Prix em Radio Lions no festival de 2012, o publicitário Felipe Luchi, hoje vice-presidente de criação da Lew'Lara\TBWA, volta a Cannes para julgar a categoria. Segundo ele, o rádio pode ser uma boa alternativa para clientes com pouca verba. "Uma campanha ousada e criativa para rádio pode ser uma boa forma de um cliente pequeno ganhar visibilidade."

Uma das preocupações do Estado como representante oficial de Cannes Lions no País, segundo o diretor executivo de mercado anunciante do Grupo Estado, Flávio Pestana, é garantir o acesso de agências de menor porte ao festival. "Estamos tentando ajudar pequenas e médias agências a escolher as categorias (nas quais vão se inscrever), para que cada campanha possa competir da forma mais adequada", explica o executivo.

Lions Health. Outra novidade deste ano em Cannes é o Lions Health, festival dedicado à publicidade feita para o setor de saúde e medicamentos. O evento acontecerá nos dias 13 e 14 de junho. A premiação avaliará peças para remédios vendidos com receita médica e para os que podem ser comprados livremente pelo consumidor. O diretor executivo de criação da FCB Brasil, Rui Piranda, será jurado em Lions Health.

O publicitário, que já trabalhou para clientes como Pfizer, GlaxoSmithKline e Fleury, diz que as campanhas no setor de saúde exigem um trabalho com diferentes públicos-alvo. Além de estar na grande mídia, os laboratórios precisam fazer relacionamento com médicos, pontos de venda e os próprios usuários. "Os laboratórios precisam influenciar a decisão de compra do consumidor, mas dentro de limites éticos e de regulamentação."

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.