Elétricas chinesas com investimentos no País devem reavaliar viabilidade

Edição da MP 579, que trata da prorrogação dos contratos de energia a uma receita menor, pode colocar em xeque negócios das empresas no Brasil

Francisco Carlos de Assis, da Agência Estado,

21 de novembro de 2012 | 15h36

SÃO PAULO - As empresas chinesas que investem no setor de energia elétrica no Brasil deverão refazer seus cálculos econômicos e financeiros para mensurar a viabilidade dos negócios após a edição da Medida Provisória (MP) nº 579, que trata da prorrogação dos contratos de energia elétrica a uma receita menor. A afirmação foi feita nesta quarta-feira, 21, pelo embaixador da China no Brasil, Li Jinzhang, durante uma breve conversas com jornalistas após ter participado da abertura da 4ª Conferência Internacional do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC), que acontece nesta quarta-feira, em São Paulo.

O embaixador fez questão de salientar que o governo chinês apoia os investimentos de suas empresas fora da China, mas que são, em última instância, as empresas que operam e decidem. Cheio de cuidados ao responder as perguntas, o embaixador evitou a polêmica ao ser questionado sobre o que pensa das "mudanças de regras". Questionado se essas alterações não assustavam as empresas de seu país, o embaixador disse que "qualquer investidor gosta de um ambiente estável e transparente, mas eu acho que o governo brasileiro está caminhando nesta direção".

A principal chinesa em atuação no setor é a State Grid, que chegou ao Brasil em 2010, quando comprou ativos da Plena Transmissora por cerca de R$ 3 bilhões. Em maio deste ano, adquiriu sete ativos de transmissão no País da espanhola ACS, por cerca de R$ 2 bilhões.

Além disso, a empresa participou de leilões de linhas de transmissão e venceu, em dezembro do ano passado, um lote para construção de duas subestações em consórcio com a estatal Furnas, do grupo Eletrobras. Em março deste ano, em parceria com a Copel, venceu mais dois lotes de transmissão, correspondentes a ativos que farão a interconexão das hidrelétricas do rio Teles Pires. Agora empresa estaria estudando novas parceiras para a disputa dos próximos leilões, em especial daqueles que ofertarão os sistemas de conexão da usina de Belo Monte.

Além da State Grid, a China Three Gorges possui, indiretamente, ativos no País, uma vez que, com a compra de fatia da EDP Portugal, consumada no início deste ano, passou a detém pouco mais de 10% de participação indireta na EDP Energias do Brasil.

"Nossas empresas chegaram um pouco atrasadas no Brasil e, por isso, demoram um pouco mais para se adaptarem. Nesse processo, surgem alguns problemas que procuramos resolver com respeito mútuo", disse Li Jinzhang, acrescentando que Brasil e China têm uma agenda positiva em comum pela qual os governos dos dois países incentivam suas empresas "trocarem" investimentos. "É natural que surjam alguns atritos neste processo, mas fico com uma visão positiva", disse.

Tudo o que sabemos sobre:
ChinaBrasilHidrelétricasMP 579

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.