Elétricas deficitárias no rumo da privatização

As distribuidoras regionais de energia vêm apresentando constantes prejuízos e exigiriam R$ 8 bilhões para serem financeiramente saneadas

O Estado de S.Paulo

29 Julho 2016 | 03h00

A assembleia de acionistas da Eletrobrás, a holding estatal do setor elétrico, tomou a decisão mais apropriada ao rejeitar novas injeções de capitais nas seis distribuidoras de eletricidade do Norte e do Nordeste por ela controladas e aprovar a transferência de seu controle para a iniciativa privada até o fim do próximo ano.

As distribuidoras regionais de energia vêm apresentando constantes prejuízos e exigiriam R$ 8 bilhões para serem financeiramente saneadas. Neste bloco estão as empresas Ceron (de Rondônia), Boa Vista (de Roraima), Amazonas Energia (do Amazonas), Eletroacre (do Acre), Ceal (de Alagoas) e Cepisa (do Piauí).

Os serviços prestados aos consumidores por todas essas companhias deixam a desejar, mas a Ceal e a Cepisa estariam numa situação financeira melhor do que a das demais e, segundo se alega, se recebessem um aporte de R$ 1 bilhão, poderiam ser vendidas por um preço mais alto. Mas questões pontuais como esta não chegaram nem mesmo a ser examinadas, pois o objetivo imediato do governo interino e dos acionistas minoritários é tapar o rombo crônico nas contas da Eletrobrás. Juntas, as seis distribuidoras deram um prejuízo de R$ 5 bilhões à holding no ano passado.

Essas empresas foram federalizadas em 1998, quando o governo FHC se empenhou em privatizar todas as distribuidoras estaduais de energia elétrica em situação deficitária. Só não conseguiu transferir para a iniciativa privada as seis do Norte e do Nordeste, por falta de interessados. A saída foi federalizá-las.

Além das seis mencionadas, já estava decidido que irá a leilão em agosto a Celg-D, de Goiás, cujas ações são compartilhadas entre a Eletrobrás e o governo daquele Estado. Em todas as privatizações, os novos controladores ficarão responsáveis pelas obrigações e dívidas das distribuidoras, bem como pelos novos investimentos previstos.

Apesar da experiência negativa do passado, a Eletrobrás espera que os leilões tenham êxito, considerando os avanços do Sistema Interligado Nacional (SIN), que proporciona ganhos de escala e segurança de fornecimento em períodos de estiagem e hoje permite atender à demanda em áreas antes isoladas do Amazonas, Acre e Rondônia.

Se tudo ocorrer como planejado, a Eletrobrás poderá concentrar-se na geração de energia, seu negócio principal, e o consumidor deve ser beneficiado com a gestão privada da distribuição de eletricidade.

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