Elétricas poderão pedir reajuste extra de energia

As empresas do setor elétrico poderão solicitar um reajuste extraordinário de tarifas, caso o dólar permaneça em patamares elevados nos próximos dois meses. Segundo o analista da corretora BBA, Marcos Severine, se o câmbio permanecer nesse patamar de R$ 3 nos próximos 60 dias, as empresas vão apresentar uma "queda de margem expressiva" e poderão alegar desequilíbrio econômico e financeiro para solicitar o reajuste à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), como prevê o contrato de concessão.No entanto, ele lembra que esse reajuste, se concedido extraordinariamente, será considerado uma antecipação a ser descontada na próxima data-base de aumento de tarifas das empresas. Severine salientou também que a perda de caixa das empresas por causa do aumento dos custos com a energia adquirida de Itaipu (dolarizada) não será refletida contabilmente (nos balanços), já que há adiamento em conseqüência da garantia do reajuste tarifário.Segundo ele, as empresas do setor vão sofrer também os impactos sobre o endividamento em dólar, já que a maior parte não tem proteção integral dos débitos.De acordo com o analista, a Eletrobrás deverá registrar um lucro recorde de R$ 1,6 bilhão no segundo trimestre, em conseqüência da alta do dólar. A empresa é credora em dólar, já que vende a energia de Itaipu. Para o analista, caso o dólar permaneça nos patamares atuais, um novo lucro recorde será registrado pela Eletrobrás no terceiro trimestre.

Agencia Estado,

30 de julho de 2002 | 16h23

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