Elétricas vivem movimento de curto prazo

O desempenho do setor energético na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) está condenado a viver de notícias de curto prazo neste ano. A avaliação é de especialistas do mercado, segundo os quais a questão política tem agravado ainda mais o cenário para o segmento - já combalido com a perda cambial e indefinições regulatórias.O analista Marcos Severine, do BBA, observou que cada candidato à Presidência tem uma proposta diferente para o setor. Segundo ele, mesmo depois da definição nas urnas, fica a pergunta se o modelo apresentado pelo vencedor irá se confirmar, na prática, em 2003."Essa indefinição gera extrema volatilidade e é responsável por pelo menos 90% do pessimismo", afirmou. Na análise dos últimos 12 meses, o Índice de Energia Elétrica (IEE) da Bolsa acumula baixa próxima a 7%, contra uma queda do Ibovespa em torno de 1%, no mesmo intervalo. Apenas este ano, o IEE já despencou perto de 29%, frente a um Ibovespa negativo em 27%.O analista da BBV Corretora Oswaldo Telles lembrou também que as companhias energéticas têm dívidas elevadas, em grande parte em moeda estrangeira, e estão enfrentando uma conjuntura de crédito escasso e juros altos. "Essa equação é péssima para o setor, pois afeta também os resultados das empresas." Na espera de um horizonte mais claro, os especialistas buscam analisar os efeitos práticos da enxurrada de medidas anunciadas pelo governo nos últimos meses, na tentativa de reerguer o segmento. A tarefa, porém, não é fácil e alguns pontos esbarram na política para 2003.Severine considerou positiva a Medida Provisória n.º 64, que confirmou medidas no plano de revitalização do setor, como o Fundo de Dividendos. Tal reserva, que poderá ser usada pelo governo para políticas de subvenção, será formada pelos lucros obtidos na venda de energia de geradoras federais em leilões públicos.A partir do próximo ano, as empresas poderão negociar a energia resultante da liberação de 25% dos contratos iniciais, assinados durante o processo de privatização.O analista Sergio Tamashiro, da Unibanco Research, ressaltou que ainda existem incertezas sobre a demanda e os preços a serem obtidos nos leilões. "Se não tivermos demanda em 2003, como ficarão os preços?"Outra pendência diz respeito à revisão ordinária das tarifas. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) diz que a fórmula seguirá o valor de mercado dos ativos das empresas, o que tem provocado polêmica. Tamashiro entende que o melhor seria considerar os valores pagos nos leilões de privatização.

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