Eletricitários das quatro maiores usinas da Cesp decretam greve

A Companhia Energética de São Paulo (Cesp), uma das empresas mais endividadas do País, com dívida de R$ 10 bilhões, enfrenta desde ontem uma greve por causa da divergência entre trabalhadores e direção da empresa sobre a forma de distribuição da participação nos lucros e resultados. A greve é total nas quatro maiores usinas da empresa - Ilha Solteira, Jupiá, Porto Primavera e Três irmãos, onde mais de mil trabalhadores de um total de 1.600 estão parados.O Sindicato dos Eletricitários de Campinas garante que o fornecimento de energia não será afetado, pois equipes estão sendo organizadas para garantir o serviço, considerado essencial. Mas o presidente da entidade, Wilson Marques de Almeida, admite que os serviços de manutenção preventiva estão parados e que isso aumenta o risco de desligamento do sistema, o que poderia resultar em apagão. Os trabalhadores exigem que a estatal pague de forma igual para todos os funcionários a remuneração por resultados, o equivalente a um mês da folha de pagamentos, mas a empresa não aceita e quer distribuir 52,5% dos resultados de forma igual para todos e os 47,5% restantes de forma proporcional aos salários. O cálculo dos resultados é feito com base no lucro antes do pagamento do serviço da dívida, que segundo o último balanço é de US$ 4,4 bilhões, sendo 45% em moeda estrangeira.O prazo dado pelo sindicato para que a direção da Cesp solucionasse o problema da forma de distribuição da participação nos resultados se esgotou na última terça, já que o termo aditivo do acordo salarial assinado em junho do ano passado prevê que o pagamento aconteça cinco dias depois de aprovação em reunião da Assembléia Geral Ordinária.

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