Eletrobrás avança na venda de distribuidoras

Do total de seis distribuidoras listadas para venda pela Eletrobrás, falta apenas alienar a Companhia Energética de Alagoas (Ceal)

O Estado de S.Paulo

12 de dezembro de 2018 | 05h00

Depois de vender, entre julho e agosto, o controle das distribuidoras Eletroacre, Boa Vista e Ceron, da Região Norte, e a Cepisa, da Região Nordeste, a Eletrobrás se desfez da Amazonas Energia, a mais problemática das distribuidoras sob controle da estatal, que atende cerca de 900 mil consumidores de 62 municípios. Do total de seis distribuidoras listadas para venda pela Eletrobrás, falta apenas alienar a Companhia Energética de Alagoas (Ceal), cujo leilão está marcado para a semana que vem.

A distribuição de energia é uma fonte histórica de ônus para a Eletrobrás. Com prejuízos enormes, de R$ 10,2 bilhões em 2016, além de um patrimônio líquido negativo de R$ 9,3 bilhões naquele ano, a Amazonas Energia foi vendida a um consórcio formado pelas empresas Oliveira Energia e Atem pelo valor simbólico de R$ 50 mil. Aos compradores caberá aportar imediatamente R$ 492 milhões à companhia e investir R$ 2,7 bilhões nos próximos cinco anos.

Outros custos serão tão grandes ou maiores. A Eletrobrás assumiu R$ 13 bilhões dos passivos acumulados pela Amazonas Energia, em parte constituídos por dívidas com a Petrobrás. E os compradores assumirão outras dívidas no montante de R$ 2,2 bilhões. Se não vendesse a Amazonas Energia, a Eletrobrás deixaria para o próximo governo o compromisso de cobrir um rombo de R$ 5 bilhões. Os números são representativos da má gestão dessa companhia estatal.

Os maiores obstáculos à venda das distribuidoras da Eletrobrás foram o interesse das corporações de se manter à sombra do Estado e a reação de políticos habituados a indicar representantes para os melhores empregos oferecidos pelas companhias. Ações judiciais recentes foram movidas por sindicatos locais com vistas a interromper o processo de privatização da Amazonas Energia. O Tribunal Regional do Trabalho da 1.ª Região (TRF1) chegou a determinar, minutos após o término do leilão, a suspensão da venda, sob alegação de que os empregados da companhia não haviam sido consultados sobre a alienação.

A venda das distribuidoras mais problemáticas da Eletrobrás elimina uma fonte de prejuízos para a estatal. Poderá, ainda, favorecer a desestatização da holding elétrica federal, se for essa a opção do próximo governo. O atual governo tentou, sem sucesso, vender o controle da Eletrobrás.

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