finanças

E-Investidor: "Você não pode ser refém do seu salário, emprego ou empresa", diz Carol Paiffer

Eletrobrás culpa consórcio de usina por atraso na obra

Para presidente da estatal, consórcio construtor da usina de Santo Antônio tem 'grande parte da responsabilidade' pelo cronograma

ANNE WARTH / BRASÍLIA , O Estado de S.Paulo

30 de setembro de 2014 | 02h05

O presidente da Eletrobrás, José da Costa Carvalho Neto, disse ontem que o consórcio construtor da usina de Santo Antônio tem "grande parte da responsabilidade" pelo atraso na antecipação das obras da hidrelétrica, em construção no Rio Madeira (RO). Subsidiária da Eletrobrás, a estatal Furnas é a principal acionista da concessionária Santo Antônio Energia, que tem enfrentado dificuldades para pagar suas dívidas com a compra de energia no mercado.

"Eles (o consórcio construtor) têm uma parte grande da responsabilidade", disse o executivo, após reunião do conselho de administração da Eletrobrás. O impasse entre o consórcio construtor e a concessionária já dura meses e é uma das causas dos problemas financeiros da usina. A Santo Antônio Energia alega que as construtoras não conseguiram cumprir integralmente o cronograma de antecipação das obras da hidrelétrica.

Isso causou prejuízos milionários à concessionária, que, agora, quer dividir essa despesa com as empreiteiras - no jargão da construção civil, isso é conhecido como "claim".

Na semana passada, Furnas não enviou representantes à Assembleia Geral Extraordinária dos acionistas da Santo Antônio Energia e, por isso, o aporte adicional de R$ 1,14 bilhão não foi aprovado. A concessionária tem uma dívida de R$ 266 milhões na Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), que vence no dia 8 de outubro, e não tem recursos em caixa para pagá-la.

Carvalho Neto disse que Furnas está "gastando todo o fosfato" para resolver o problema e encontrar uma solução conjunta com os demais sócios. "Em nenhum momento Furnas está se negando a pagar os valores que estão no contrato da obra e os valores da liquidação no mercado de curto prazo. (O problema) É mais o valor dos 'claims'."

O executivo admitiu que a concessionária também deve pagamentos ao consórcio. "Uma hora vamos ter de sentar e ver o que é justo para um lado e o que é justo para o outro lado." O consórcio construtor é formado pela Odebrecht e pela Andrade Gutierrez, que também são sócias da concessionária Santo Antônio Energia.

Por ser a principal acionista, com 39% de participação, caberia a Furnas fazer o maior aporte à concessionária. Mas a estatal avalia que as empreiteiras têm de assumir sua responsabilidade pelos problemas nas obras e pagar por eles. A Santo Antônio Energia também tem como sócios o fundo Caixa FIP Amazônia Energia (20%) e a Cemig (10%), além da Odebrecht Energia (18,6%) e da Andrade Gutierrez (12,4%).

Empréstimo. Parte do problema da Santo Antônio Energia deve ser resolvida nesta semana. Carvalho Neto informou que o Conselho de Administração da companhia aprovou a liberação da primeira parcela do empréstimo de R$ 6,5 bilhões, firmado entre o grupo, Caixa e Banco do Brasil. Ao todo, R$ 1 bilhão devem ser liberados e divididos entre as subsidiárias Furnas, Eletrosul e Eletronuclear.

O executivo afirmou que Furnas deve usar o dinheiro justamente na hidrelétrica de Santo Antônio. Além dela, também receberão recursos as usinas de Teles Pires, São Manoel, eólicas e linhas de transmissão em Angra 3. Outras duas parcelas devem sair no fim deste ano e no início de 2015.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.