FABIO MOTTA/ESTADÃO
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Eletrobrás dá andamento a estudos para privatização

Presidente da empresa afirma que trabalhos começaram a ser aprofundados para definir modelagem

Cristian Favaro, Altamiro Silva Júnior, Cynthia Decloedt, O Estado de S.Paulo

21 de abril de 2019 | 05h00

Apesar da resistência de alguns integrantes do Planalto, o processo para privatização da Eletrobrás está avançando. O presidente da Eletrobrás, Wilson Ferreira Júnior, afirmou que os estudos sobre a venda da empresa continuam em andamento e estão sendo aprofundados. A maior dúvida é como será o processo, se por meio de uma capitalização ou privatização.

“Abriu um período de avaliação dessas alternativas. Estamos aprofundando estudos e devemos ter alguma conclusão, se vamos para capitalização, olhando para eliminação do risco hidrológico, ou se vamos para um programa de venda da empresa”, disse o executivo, durante evento organizado pela agência de classificação de riscos Fitch Rating, na quarta-feira, em São Paulo.

Na ocasião, Ferreira Júnior voltou a se mostrar mais favorável ao processo de capitalização como uma forma de fortalecer a empresa e dar a ela capacidade de fazer frente aos investimentos necessários para o setor. “Ela não é capaz de enfrentar um programa de investimento nas proporções do que ela representa”, defendeu o executivo, acrescentando: “É preciso capitalizar a empresa, que tem importância no País.”

O executivo explicou que, apenas para a empresa manter seu market share, ela teria de investir por ano entre R$ 10 bilhões e R$ 14 bilhões. “Ano passado, esteve entre R$ 4,6 bilhões”, disse. Segundo Ferreira Junior, para os próximos anos, mantendo um nível saudável e o endividamento controlado, os investimentos ficariam também na casa dos R$ 4 bilhões.

Redução de custos. O executivo voltou a defender um enxugamento da folha de pagamento da companhia. A venda da empresa, segundo ele, não seria para tirá-la do Estado, mas “dos empregados”, diante do forte “corporativismo dentro da empresa”. “A Eletrobrás tinha 26 mil empregados. Chegamos a 13,5 mil. O drama principal é o drama da governança.” 

O presidente da Eletrobrás afirmou ainda que terá de seguir vendendo ativos para melhorar a geração de caixa e seu perfil de crédito, caso haja atraso na privatização da estatal. “Teremos de continuar vendendo ativos”, afirmou, reiterando que a companhia deve anunciar agora em maio a venda de 40 Sociedades de Propósito Específico (SPEs).

Ferreira Júnior comentou ainda que a estatal está na fase final das obras nas usinas de Santo Antonio e Jirau, em Rondônia. “Sinop será concluída no primeiro semestre e Belo Monte, até novembro”, frisou o executivo. Ele ressaltou os esforços de corte de custos que a Eletrobrás tem feito e disse que eles devem continuar.

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