Eletrobrás descarta nova crise de energia no País

O presidente da Eletrobrás, Aloisio Vasconcelos, descartou a possibilidade de o Brasil vir a enfrentar uma crise energética por causa da nacionalização da indústria de petróleo e gás na Bolívia. "Em 2007 e 2008 não haverá crise, porque nossos reservatórios estão cheios", disse, em entrevista ao Espaço Aberto, da Globo News. Vasconcelos destacou que o mercado energético brasileiro possui ferramentas de planejamento que não existiam quando ocorreu a crise energética de 2002, como contratos de longo prazo. Esses contratos, segundo ele, garantem o abastecimento até 2009. Após essa data, ele lembrou dos projetos de hidrelétricas em andamento, como as do Rio Madeira. Menos otimista, o professor de Planejamento Energético do Coppe-UFRJ Roberto Schaeffer, que também participou do programa, concorda que o abastecimento do Brasil estará garantido em 2007 e 2008. Porém, tudo dependerá das condições climáticas. "Se não tiver chuvas boas nos próximos dois anos e com essa crise de gás na Bolívia, acende a luz amarela", alertou.Mas o professor observou que o Brasil possui um leque de opções de fontes energéticas que são subutilizadas e que poderiam ajudar o País a ser menos dependente, por exemplo, do gás da Bolívia. Entre as alternativas, ele citou a geração de energia por biomassa, "como o bagaço da cana no Estado de São Paulo, que é subutilizado", e a repotencialização de hidrelétricas antigas. Na opinião de Schaeffer, o grande problema do modelo energético atual adotado pelo Brasil é priorizar a venda de "energia nova" em vez de criar meios de economizar o uso de energia no País, especialmente pelas indústrias. Um dos caminhos para isso entraria na esfera econômica. O professor contestou a avaliação de alguns economistas ao afirmarem que para o Brasil crescer 4% ao ano a geração de energia elétrica precisa crescer 6%, para que mais matéria-prima seja exportada para países desenvolvidos. "Quase 10% da energia brasileira é consumida pelo setor de alumínio, que fatura US$ 2 bilhões ou US$ 3 bilhões por ano. O Brasil exporta aço em grupo, alumínio em grupo, e depois importa bicicleta e cinzeiro com design italiano. Se continuar fazendo isso, a economia cresce os 4%."Energia nuclearAloisio Vasconcelos confirmou que o governo brasileiro estuda retomar a construção da usina nuclear Angra III, "que já tem contrato, licença ambiental e 82% do seu equipamento comprado". Sem revelar valores, ele disse que os custos da conclusão da usina "não assustam e são quase compatíveis com as de uma usina térmica". Contrário a essa posição, Roberto Schaeffer afirmou que a energia nuclear, assim como a de carvão, é muito cara. Ele calcula que a conclusão da usina de Angra III despenderá entre US$ 1,7 bilhão e US$ 1,8 bilhão, para gerar 1,3 gigawatt de energia. "Isso não fica pronto em menos de 6 a 7 anos. Nesse tempo trago gás de qualquer parte do mundo", concluiu.

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