Eletrobrás descarta pagamento de dividendos em dinheiro

O diretor financeiro da Eletrobrás, José Drummond Saraiva, afastou a possibilidade de a estatal pagar, em dinheiro, os dividendos atrasados da empresa, estimados em R$ 6,9 bilhões. "Qualquer que seja a solução, está afastada a possibilidade de pagamento em dinheiro", disse Drummond em apresentação na Abamec. Ele não quis detalhar quando o pagamento será feito e considera "possível" que haja uma definição sobre a questão até o final do ano. "Já resolvemos a questão da conversão dos empréstimos compulsórios, que foram transformados em ações, e temos de equacionar essa questão", comentou. A questão se arrasta desde 1984, quando a Eletrobrás declarou mas não pagou os dividendos ao longo de oito exercícios, quando foi registrado grande volume de inadimplência de empresas do setor elétrico. O valor original era inferior a R$ 1 bilhão, mas a empresa foi obrigada a arcar com os custos referentes à taxa de juros Selic, o que elevou a dívida de forma exponencial.Inicialmente a correção seria válida apenas para a União, que é a maior acionista da Eletrobrás, mas os acionistas minoritários também conseguiram o mesmo direito.Drummond reafirmou que a empresa espera concluir nos próximos meses o up grade dos títulos da companhia negociados na Bolsa de Nova York para o nível 2 (ADR 2). "Acreditamos que isso permitirá uma melhoria substancial na avaliação de nossa empresa", disse Drummond, que não quis fazer previsões sobre o potencial de valorização por conta da medida. O diretor financeiro da holding estatal de energia elétrica disse que a empresa fez novas provisões referentes no primeiro semestre, no valor de R$ 264 milhões para os empréstimos compulsórios aos grandes consumidores de energia elétrica. Com o novo acréscimo essas provisões subiram para R$ 1,6 bilhão e Drummond não informou como a empresa equacionará a questão. "Temos 2.500 ações contra a companhia nesse sentido, mas estamos notando que houve uma redução de novas ações. O mais provável é que o processo esteja se esgotando", comentou.

Agencia Estado,

17 de agosto de 2006 | 23h57

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