Marcelo Min
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Eletrobrás faz captação de R$ 6,5 bi com BB e Caixa

Empréstimo será usado para viabilizar plano de negócios; segundo fontes ligadas à operação, bancos privados não quiseram participar

Karin Sato, Anne Warth e João Villaverde, O Estado de S. Paulo

21 de julho de 2014 | 21h43

O Conselho de Administração da Eletrobrás aprovou a captação de recursos, com garantia da União, no valor de R$ 6,5 bilhões, a serem desembolsados em até três parcelas, sendo a última em 2015. A operação decorreu de um processo no qual foram convidadas diversas instituições financeiras, sob coordenação do Banco do Brasil. Segundo apurou a Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado, só os bancos estatais demonstraram interesse pela operação. 

Ao final, os recursos foram contratados junto à Caixa e ao Banco do Brasil, que ofereceram propostas firmes para a concessão de R$ 2,5 bilhões e R$ 4 bilhões, respectivamente. O capital será aplicado no cumprimento do Plano Diretor de Negócios e Gestão 2014-2018.

A captação será formalizada por meio de Contrato de Abertura de Crédito e de Cédulas de Crédito Bancário a serem emitidas pela Eletrobrás a cada desembolso e ainda depende de aprovação pelos órgãos governamentais competentes.

O prazo total da captação é de 8 anos, com prazo de carência do principal de 2 anos. O custo financeiro é de 119,5% do CDI. A taxa de estruturação é de 0,75% e a taxa de compromisso, de 0,60% ao ano sobre os recursos não desembolsados.

Bancos. A Eletrobrás consultou 18 bancos para conseguir o empréstimo de R$ 6,5 bilhões. O Broadcast apurou que nada menos do que 16 instituições financeiras não demonstraram qualquer interesse em participar dessa operação. Todos esses bancos são privados. Restou, portanto, ao Banco do Brasil e à Caixa colocar o financiamento de pé. No entanto, mesmo esses dois bancos públicos cobraram um preço alto pelo dinheiro repassado à Eletrobrás - 119,5% do CDI, índice considerado “muito elevado” para companhias do porte da Eletrobrás.

A negativa dos 16 bancos surpreendeu a direção da companhia, que não esperava uma reação tão negativa. A parte da Caixa, de R$ 2,5 bilhões, já estava engatilhada desde o ano passado. O Broadcast revelou a intenção da Eletrobrás contratar um empréstimo junto à Caixa em agosto de 2013. 

A operação surgiu no âmbito da Medida Provisória 579, transformada em lei em fevereiro de 2013, e que possibilitou a redução da conta de luz. Na lei, por força do Tesouro, passou a se prever um empréstimo bancário à Eletrobrás para sustentar despesas com a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE).

Como as responsabilidades da CDE já estavam sendo bancadas diretamente pelo Tesouro, o empréstimo da Caixa à Eletrobras seria para ajudar a fortalecer a companhia, que passou por grandes dificuldades após a redução das tarifas. 

Quando a informação foi revelada, o Tesouro reagiu com uma nota pública negando tudo. Dois meses mais tarde, no entanto, o Conselho de Administração da Eletrobrás aprovou o empréstimo da Caixa, da ordem de R$ 2,5 bilhões, e o secretário do Tesouro, Arno Augustin, defendeu a medida publicamente. O empréstimo foi sustado em dezembro, por ordem do ministro da Fazenda, Guido Mantega. Agora, sete meses mais tarde, o empréstimo sairá do papel. 

Procurada pela reportagem, a assessoria da Eletrobrás informou que a empresa não daria além do Comunicado ao Mercado.

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