Eletrobrás investirá R$ 13,3 bi em 2012

A Eletrobrás anunciou ontem um investimento recorde de R$ 13,3 bilhões para 2012. A cifra é 48% superior ao orçamento deste ano, que fecha em torno de R$ 9 bilhões. Para viabilizar o investimento, o presidente da estatal, José da Costa, revela que será preciso captar R$ 3,9 bilhões no mercado de capitais.

MÔNICA CIARELLI, RIO, O Estado de S.Paulo

28 de dezembro de 2011 | 03h07

Além disso, a companhia espera obter mais R$ 4,1 bilhões com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e fundos regionais e outros R$ 900 milhões com o Banco Mundial (Bird). O restante dos recursos virá do próprio caixa da estatal.

De acordo com o executivo, os investimentos serão importantes para impulsionar o crescimento da companhia. Em 2012 entram em operação 15 projetos da Eletrobrás que, juntos, elevam em 2,8 mil megawatts sua capacidade de geração de energia no País.

Do total previsto para o ano que vem, R$ 6,8 bilhões serão destinados à área de geração - na qual controla Chesf, Furnas, Eletrosul, Eletronorte, CGTEE e Eletronuclear, além de metade de Itaipu. Outros R$ 3,8 bilhões vão para a área de transmissão; R$ 1,8 bilhão para distribuição; e R$ 760 milhões para outros projetos.

Este ano, a Eletrobrás já trabalhou com um investimento recorde. Mas, o número ficou abaixo da previsão inicial de R$ 10 bilhões. Na expectativa de bater essa cifra, a estatal chegou a solicitar um reforço no orçamento para R$ 12 bilhões. No final, por atrasos em licenciamentos de projetos, acabou fechando o ano com investimentos na casa dos R$ 9 bilhões.

Ontem, o presidente da Eletrobrás prometeu ainda que, a partir de 2014, as distribuidoras controladas pela companhia passarão a dar lucro. "No ano passado, o prejuízo (das distribuidoras) foi de R$ 1,5 bilhão, este ano vai ser de R$ 1 bilhão, no ano que vem de R$ 600 milhões e de R$ 300 milhões em 2013. Em 2014, vamos ter lucro nas seis distribuidoras (Amazonas Energia; Boa Vista Energia; Ceal, de Alagoas; Cepisa, do Piauí; Ceron, de Rondônia; e Eletroacre)", afirmou.

Para Costa, a empresa deverá assumir ainda este ano os 51% do capital da Celg, distribuidora de energias de Goiás, que está endividada. Sem revelar detalhes da operação, o executivo se limitou a afirmar que uma engenharia financeira está sendo construída pelo governo federal e estadual para resolver o problema da empresa.

Internacionalização. O executivo reafirmou o interesse em internacionalizar a estatal, chegando em 2020 com 10% da receita vindo do exterior. "A disputa pela fatia de 21% do governo português no capital da EDP foi um aprendizado para a estatal", lembrou. Segundo ele, a companhia brasileira chegou muito perto de levar a participação acionária, que acabou nas mãos de um grupo chinês, o Three Gorges.

Costa revelou que a Eletrobrás ofereceu 2,5 bilhões pelos 21% de participação na EDP, enquanto a chinesa ofertou 2,7 bilhões. Apesar de ter apresentado uma proposta financeira mais baixa, o executivo avalia que o plano estratégico da Eletrobrás para EDP era o melhor.

O projeto tinha como base transformar a Eletrobrás na maior empresa de geração hidrelétrica do mundo e a EDP na maior em energia eólica. Para Costa, o que atrapalhou o processo foi o fato de a estatal querer espaço para poder elevar a participação acionária de 21%, caso precisasse enfrentar uma disputa pelo controle da empresa portuguesa. O medo era quer os minoritários da EDP vendessem suas ações para uma empresa concorrente da Eletrobrás, o que deixaria a estatal brasileira em uma posição desconfortável no bloco de controle.

Segundo ele, o governo português chegou a sinalizar que, sem essa exigência, a estatal brasileira estaria em uma posição melhor na disputa. "Mas, essa era uma questão de ordem para nós", disse.

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