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Eletrobrás joga pesado no leilão do Madeira

Estatal assinou contrato de exclusividade com a Odebrecht

Renée Pereira, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2011 | 00h00

Incluído no programa de privatização na década de 90 e impedido de investir durante vários anos, o grupo Eletrobrás voltou à cena com força total. Desde 2003, a empresa tem colecionado uma série de aquisições de projetos hidrelétricos concedidos à iniciativa privada no passado.Além disso, tem tido participação ativa nos leilões promovidos pelo governo federal para expansão da capacidade de geração. Tudo isso tem ocorrido por meio das suas subsidiárias Furnas, Eletronorte e Chesf. Junta-se a isso o fato de o grupo estar à frente dos estudos dos maiores projetos de geração do Brasil, como as hidrelétricas do Rio Madeira e Belo Monte.O retorno da holding a projetos de peso começou com a aquisição de uma participação na Hidrelétrica Peixe Angical (452 MW), em 2003, por Furnas. De acordo com informações da época, as obras haviam sido suspensas por dificuldades na obtenção de financiamento. Com a entrada da estatal, a construção foi retomada e um empréstimo de cerca de R$ 670 milhões foi concedido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).Em fevereiro do ano passado, o grupo intensificou sua ação no setor. Comprou 49% de participação na Hidrelétrica de Lajeado (452 MW), 40% da Hidrelétrica Foz do Chapecó (855 MW) e 40% de Retiro Baixo. Isso sem contar os empreendimentos arrematados nos leilões do governo. As empresas do grupo venceram, sozinhas ou em parceria, a concessão das hidrelétricas Baguari (140 MW), Paulista (52,5 MW), Simplício (333,7 MW, incluindo a PCH Anta) e Passo São João (77 MW).A forte participação das empresas controladas pela Eletrobrás, no entanto, foi fortemente criticada na ocasião. Isso porque grandes grupos do setor, como CPFL, Tractebel e Energias do Brasil, haviam ficado fora da disputa por causa do preço estipulado pelo governo para a energia nova, em torno de R$ 116 o MWh. Segundo os investidores privados, esse valor não dava rentabilidade necessária para a construção de uma hidrelétrica. Isso significa que a Eletrobrás arrematou os projetos com baixo retorno, ignorando o fato de ter acões negociadas na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), dizem especialistas.PROJETOS ESTRUTURANTESO professor do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Adilson de Oliveira não concorda com a expansão da Eletrobrás da forma como vem ocorrendo. Na opinião dele, a presença da estatal só é justificada em projetos estruturantes, de grande porte. Entre os exemplos, completa ele, estão as hidrelétricas do Rio Madeira e Belo Monte. ''''As usinas de menor porte não precisam da participação do grupo. A iniciativa privada dá conta sozinha.''''Ele destaca, no entanto, que, para evitar problemas como os que têm ocorrido com as hidrelétricas do Madeira, é ideal que haja um processo de licitação para a escolha do parceiro da estatal. Nas usinas do Madeira, Furnas assinou contrato de exclusividade com a Construtora Norberto Odebrecht (CNO), que tem sido contestado pelos concorrentes.Além da geração, o grupo Eletrobrás tem tido forte participação nos leilões de linhas de transmissão.

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