Eletrobras nega isonomia entre ações ON e PN na distribuição de resultados

Matéria publicada na imprensa nesta quinta afirma que estatal aprovou mudança na distribuição de dividendos

Wellington Bahnemann, da Agência Estado,

31 de março de 2010 | 09h49

A Eletrobras divulgou comunicado nesta quinta-feira, 31, informando que o conselho de administração da estatal não aprovou a isonomia entre as ações ordinárias e preferenciais na distribuição de dividendos. Para o exercício de 2009, a empresa propôs distribuir R$ 741,5 milhões em dividendos, dos quais R$ 370,755 milhões para os papéis ON, R$ 319 mil para PNA e R$ 370,435 milhões para PNB. O valor total supera o lucro líquido de 2009, que foi de R$ 170,5 milhões.

 

A companhia disse que os R$ 370,755 milhões para as ONs serão distribuídos para 80% do capital e que os R$ 370,754 milhões das PNs serão distribuídos para 20% do capital. Com isso, a Eletrobras conclui que não há nenhuma isonomia entre as ações, negando reportagem publicada nesta quinta no jornal Valor Econômico. A remuneração por ação é de R$ 0,41/ON, de R$ 2,17/PNA e de R$ 1,63/PNB. A proposta do conselho será deliberada em assembleia dos acionistas marcada para o dia 30 de abril.

 

A estatal também informou que a distribuição de dividendos em volume superior ao lucro líquido de 2009 "se deve ao fato do resultado daquele exercício estar fortemente influenciado pela variação cambial, que não afeta na mesma proporção o fluxo de caixa da empresa". O estatuto da Eletrobras estabelece como dividendo mínimo obrigatório 25% do lucro líquido, respeitada a remuneração mínima das ações PNA e PNB de, respectivamente, 8% e 6%, do capital social.

 

O diretor Financeiro da Eletrobras, Astrogildo Quental, afirmou à Reuters, contudo, que a aprovação da isonomia na próxima assembléia de 30 de abril já é certa e será benéfica para a nova fase da companhia, "que pensa mais no minoritário", segundo o executivo. "Vamos levar à assembléia e será aprovado o pagamento de dividendos também para os acionistas ordinários, mas isso não vai afetar em nada os preferencialistas", explicou Quental à Reuters, informando que serão mantidos os 6% sobre capital da companhia destinados aos acionistas PN. O governo tem cerca de 80% das ações ordinárias, o restante está no mercado e com o BNDES.

Na terça-feira, a Eletrobras divulgou o balanço referente ao exercício de 2009, no qual lucrou R$ 170,5 milhões, bem abaixo dos R$ 6 bilhões do ano anterior, devido ao impacto cambial na pesada dívida em dólar da usina hidrelétrica binacional de Itaipu.

 

(com Reuters)

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