Eletrobrás pagará dividendos retidos há décadas

Recursos dos acionistas retidos nos anos 70 e 80 chegam hoje a cerca de R$ 10 bilhões

REUTERS, O Estadao de S.Paulo

19 de junho de 2009 | 00h00

A Eletrobrás deve pagar aos acionistas neste ano dividendos retidos nas décadas de 70 e 80, disse o presidente da estatal, José Antonio Muniz. "Estou apostando que neste ano pagamos esse dividendo", disse ele na noite de quinta-feira. "O dinheiro para pagar os dividendos está em caixa. Estamos trabalhando para pagar neste ano", reforçou.A Eletrobrás reteve dividendos que deveriam ter sido pagos aos donos de ações ordinárias para a realização de investimentos. Cerca de um quinto dos dividendos refere-se à parcela de acionistas minoritários.Muniz descartou que a emissão de bônus global em andamento - uma operação de US$ 600 milhões a US$ 1 bilhão - seja para pagar os dividendos, afirmando que o dinheiro irá para o fundo de investimentos das subsidiárias da holding.Segundo o diretor financeiro e de relações com investidores da Eletrobrás, Astrogildo Quental, dos cerca de R$ 10 bilhões em dividendos retidos, de R$ 4 bilhões a R$ 5 bilhões serão pagos em dinheiro e o resto em ações. "Queremos equacionar o problema este ano. A intenção é resolver o quanto antes, nos próximos dois meses de preferência", comentou.Se a capitalização ocorrer, o free float da Eletrobrás subirá de cerca de 20% para algo em torno de 25%, segundo Quental. O Tesouro Nacional e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico Social (BNDES) têm 80% do capital da holding.Segundo o diretor, o BNDES já concordou em receber os dividendos devidos em dinheiro e em ações. A empresa negocia agora com o Tesouro. "O BNDES poderá colocar essas ações que vai receber para serem vendidas no mercado", observou Quental.SUPERÁVIT PRIMÁRIOMuniz defendeu a retirada da Eletrobrás do cálculo do superávit primário brasileiro, ou pelo menos a flexibilização da contribuição da estatal para a economia que o País faz para o pagamento de juros da dívida pública. Disse que está discutindo com o governo e há chances de a empresa conseguir "pelo menos uma flexibilização" para poder lançar mão dos recursos em caixa - que no final de 2008 somavam R$ 13 bilhões.O ministro da Fazenda, Guido Mantega, já se manifestou contrário à ideia de retirar a Eletrobrás do cálculo do superávit. "O Mantega disse que precisamos melhorar a gestão, melhorar resultados, isso nós já estamos fazendo, então entendemos que devemos sair do superávit", afirmou Muniz. Ele destacou que a liberação da Eletrobrás do superávit é fundamental também para os investimentos de subsidiárias da holding. "Estamos trabalhando em mais de 40 mil megawatts no Brasil e vamos participar das grandes usinas que serão licitadas, como Belo Monte e Tapajós."Muniz disse que gostaria de ver o Sistema Eletrobrás coeso nos próximos leilões de hidrelétricas, mas admitiu que se o acionista majoritário - a União - quiser, as geradoras do grupo poderão participar de vários consórcios, "até quatro", para garantir competitividade nas licitações.

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