Eletrobrás perde um terço de seu valor em três dias

Perdas com o pacote de energia levam o banco Barclays a reduzir o preço-alvo da ação da estatal de R$ 20 para apenas R$ 1

FERNANDA NUNES / RIO , LUCIANA COLLET / SÃO PAULO , O Estado de S.Paulo

20 de novembro de 2012 | 02h06

As ações da Eletrobrás despencaram ontem mais uma vez, fechando o pregão da BM&FBovespa com a maior queda do Ibovespa: 15,43% para as preferenciais (sem direito a voto e com maior liquidez), seguida pelo recuo de 13,40% das ordinárias. Nos últimos três pregões, a ação preferencial perdeu um terço (28,96%) de seu valor de mercado.

A ação preferencial encerrou o pregão de ontem na mínima do dia, cotada a R$ 9,81 - o mais baixo valor desde agosto de 2005.

Na semana passada, a empresa anunciou que terá perda de receita de R$ 9,629 bilhões em 2013 em suas operações de geração e transmissão com a renovação das concessões, o que corresponde a cerca de 47% do total previsto para o ano. Diante de um cenário tão nebuloso, o Barclays rebaixou a recomendação para as ações da empresa elétrica. O banco reduziu o preço-alvo de 12 meses para R$ 1, tanto para as ações ordinárias quanto para as preferenciais. A estimativa anterior era de R$ 20 e R$ 29, respectivamente.

A revisão leva em conta as condições desfavoráveis para a renovação das concessões e o plano da estatal de aceitar a proposta governamental de prorrogação dos contratos. Além disso, a empresa não vai pagar dividendos no fechamento de 2012 se o resultado financeiro no ano for negativo e ultrapassar a reserva de lucros, disse o diretor Financeiro, Armando Casado de Araújo.

Em relatório recente, após a divulgação do lucro de R$ 1 bilhão de julho a setembro deste ano, 25,6% menos do que no trimestre imediatamente anterior, o Bank of America Merrill Lynch e o Credit Suisse chamaram a atenção para os prejuízos contábeis decorrentes da Medida Provisória 579, que impõe desvalorização de ativos e queda de receita. Em seus relatórios, os dois bancos previram que a reserva de lucro da Eletrobrás será zerada neste ano.

O diretor-financeiro da Eletrobrás não só confirmou as estimativas do mercado, como destacou que a geração de caixa em 2013 deverá ser nula. A corrosão da reserva de lucro ainda neste ano será uma resposta contábil imediata da desvalorização dos ativos, imposta pelo governo. Enquanto o Ebitda (lucros antes de juros, depreciação e amortização, na sigla em inglês) próximo de zero no próximo ano refletirá a adoção de tarifas inferiores às praticadas atualmente.

Ainda assim, a mensagem de Casado ao mercado financeiro foi de otimismo: "os investimentos estão mantidos". "A Eletrobrás não vai parar nunca de investir. Como pensar em usina na Amazônia sem a Eletrobrás, que conhece tudo lá? Quem tem esse conhecimento somos nós", disse. Para dar conta do posto de principal investidor no setor elétrico, a Eletrobrás vai recorrer a financiamentos, tendo o Tesouro Nacional como garantidor. Não é previsto aporte direto da União.

A empresa espera reforçar o caixa com a indenizações de investimentos realizados em manutenção, não previstos na MP 579, informou Casado. A compensação é esperada para a próxima revisão tarifária, ainda sem data para ser aprovada pela Agência Nacional de Energia Elétrica.

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