Eletrobras pode continuar minoritária em projetos

O grupo Eletrobrás "provavelmente" vai continuar disputando os grandes projetos de energia elétrica de forma minoritária, embora a Medida Provisória 396 tenha ampliado a área de atuação da holding estatal de energia elétrica, permitindo participações minoritárias. A afirmação é do diretor financeiro da empresa, Astrogildo Quental, em entrevista à imprensa, pouco antes de apresentação na Apimec-Rio. Segundo ele, a empresa ainda continua com algumas "amarras" e a parceria com o setor privado poderia trazer mais vantagens. "Nós continuamos subordinados à Lei 8666, que regula as licitações do setor público. Isso pode resultar em processos mais morosos", argumentou.Além disso, por ser estatal, a Eletrobrás continua com acesso limitado aos financiamentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). "Enquanto continuar esse quadro, as parcerias com o setor privado podem ser mais vantajosas", complementou. Ele reiterou ainda que todos os acordos do grupo passarão "obrigatoriamente" pela holding, não podendo ser concluídos pelas empresas controladas, que incluem alguns gigantes do setor, como Furnas, Chesf, Eletronorte e Eletronuclear. Em projetos menores, porém, a Eletrobrás poderá participar de forma majoritária.O diretor administrativo da empresa, Miguel Colasuonno, ex-prefeito de São Paulo, traçou um quadro otimista quanto às possibilidades de negócios para o setor elétrico nos próximos dez anos. "O País vai precisar de quase 50.000 megawatts (MW) de potência adicional de geração nos próximos dez anos, elevando a capacidade instalada dos 93.000 MW atuais para 140.000 MW em 2017", observou. Além disso, serão necessários milhares de quilômetros de linhas de transmissão, que também estão no raio de ação da companhia, complementou. Colasuonno citou ainda que a empresa pretende avaliar investimentos no exterior. "Nós temos know how e vamos explorar isso", acentuou.

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