Eletrobrás teme reajuste com a implantação do "pool"

A implantação de um "pool" na comercialização de energia, um dos pontos previstos do novo modelo do setor elétrico, poderá resultar em aumento dos preços da energia ou em redução da receita a ser obtida pelas empresas do grupo Eletrobrás. A preocupação foi externada pelo assessor da presidência da estatal, Roberto D´Araújo. "Isso é algo que nos preocupa", disse em palestra no 5.º Enercon, evento que está sendo realizado em São Paulo. "Vamos ter de nos virar para resolver".No "pool", a idéia do governo federal é que seja realizado um mix de preços da chamada "energia velha" mais barata, produzida por usinas mais antigas, cujos investimentos já foram depreciados e da energia dos novos empreendimentos. D´Araújo lembra que a expectativa é de que se obtenha, no "pool", uma tarifa média de geração de R$ 75,00 por megawatt-hora (MWh) não muito diferente do preço médio da energia nos contratos iniciais vigentes. Mas Araújo lembra que há contratos firmados entre geradoras e distribuidoras em que o custo da energia chega a R$ 153,00 por MWh. "Para que se tenha uma média de R$ 75,00 por megawatt-hora, seria preciso que houvesse um outro contrato de custo zero", afirma ele. Por conta disso, o assessor teme que, ao se buscar uma tarifa média de R$ 75,00 MWh, se reduza a receita das estatais federais. "Se isso acontecer, quem garantirá os investimentos, caso os projetos de geração não decolem?", questiona. Por outro lado, se for necessário ampliar a tarifa média praticada no pool, poderá ser necessário um reajuste da energia elétrica.

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