Eletrobrás tenta se desfazer de empresas

Venda das seis distribuidoras controladas pela estatal pode dar alívio ao caixa do grupo

RENÉE PEREIRA, O Estado de S.Paulo

16 de março de 2014 | 02h06

Dezesseis meses após aderir ao plano de renovação das concessões elaborado pelo governo federal, as empresas do Grupo Eletrobrás ainda tentam encontrar um rumo para minimizar os estragos provocados pela medida. Na holding, além de um plano de reestruturação que deverá ser apresentado até o fim do semestre, a venda do segmento de distribuição poderá dar um alívio no caixa.

Hoje são seis distribuidoras, no Norte e Nordeste, controladas pela Eletrobrás. As concessionárias viraram uma dor de cabeça. Além de dar prejuízo, os péssimos índices de qualidade da energia, com elevado nível de cortes e descumprimento de contratos, têm resultado numa série de multas. Segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), desde 2013 foram emitidos 25 autos de infração contra as concessionárias, num valor de R$ 38 milhões.

"O pior é que estão descobrindo passivos ocultos nessas empresas que podem atrapalhar ainda mais a Eletrobrás", afirmou uma fonte ligada à empresa. Em nota, a estatal disse que entregou ao conselho de administração um estudo com alternativas para as distribuidoras.

Enquanto isso, as subsidiárias também tentam encontrar fórmulas para recuperar as perdas. Mas não há milagre, dizem especialistas. Qualquer recomposição vai levar algum tempo. Na Chesf, além da redução de 15% dos custos e desligamento de 1.350 pessoas, a missão é recuperar em três ou quatro anos uma parte da queda de 50% das receitas, disse o diretor-presidente da estatal, Marcos Aurélio Madureira da Silva. "Estamos procurando incorporar alguns empreendimentos para elevar a receita da empresa. Já conseguimos recompor 7%."

Em Furnas, o que tem rendido algum resultado positivo é a venda de energia no mercado à vista, segundo o diretor da Coppe/UFRJ, Luiz Pinguelli Rosa, que já foi presidente da Eletrobrás no início do governo Lula. Segundo ele, a empresa conseguiu contratos a preços melhores e tem sido beneficiada pelos reflexos da estiagem. A empresa disse, porém, que toda energia disponível agora foi contratada no ano passado em leilão.

Know-how. Furnas demitiu 1.670 pessoas até agora - a maioria tinha, em média, 24 anos de casa. Para Pinguelli, apesar das perdas financeiras, esse é o maior prejuízo para o Grupo Eletrobrás: a perda de know-how. "Meu medo é que consigam destruir a competência técnica da empresa", disse.

Pinguelli afirmou que sente falta de uma ação mais enérgica dos sindicatos para evitar a continuidade "desse desastre". "Seria simpático que os sindicatos, que fizeram tanta manifestação contra a privatização no governo de FHC, tomassem uma posição neste momento."

O diretor da Associação dos Empregados da Eletrobrás e do Sindicato dos Eletricitários do Rio, Emanuel Mendes, admite que a empresa perdeu muita mão de obra qualificada. Só na holding, foram 200 desligamentos. "Os mais experientes foram embora e os mais novos, com salários menores, ficaram." Ele afirma que, depois das perdas da renovação, os empregados ficaram desmotivados. "Só não mexeram ainda na questão salarial e nos benefícios porque tínhamos um acordo para dois anos."

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