Eletrobrás terá 49% de usina, afirma ministra

A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, disse ontem que a tendência é de que a Eletrobrás tenha participação de 49% na Usina de Belo Monte, que será construída no Rio Xingu, no Pará. Segundo ela, ainda não está decidido como será essa participação, se antes ou depois do leilão, marcado para 20 de abril.

, O Estadao de S.Paulo

20 de março de 2010 | 00h00

Dilma ironizou as críticas de que Belo Monte terá um retorno baixo e disse que a hidrelétrica é investimento da "velhinha japonesa", com rendimento constante e assegurado pelos brasileiros, que vão consumir a energia.

No governo, discute-se a participação da Eletrobrás de duas maneiras. Na primeira hipótese, seria repetido o esquema adotado nos leilões das usinas de Jirau e Santo Antonio, no Rio Madeira: as subsidiárias da Eletrobrás se dividiriam e entrariam cada uma em um consórcio inscrito para participar da disputa.

No outro modelo, a Eletrobrás ficaria de fora do leilão e se associaria ao consórcio vencedor, seja ele qual for. "Eles ainda estão decidindo como vão ser as condições, mas a tendência é de 49% (de participação). O que não se sabe é como", disse Dilma, após a última reunião como presidente do conselho de administração da Petrobrás.

Retorno. Em relação às dúvidas quanto ao retorno financeiro da hidrelétrica, Dilma disse que é uma surpresa esse tipo de avaliação porque não há risco de demanda. "Nunca hidrelétrica foi investimento arriscado no Brasil." Segundo ela, o governo busca um maior número de consórcios para participar do leilão.

Depois do aval do TCU, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou na quinta-feira o edital de licitação da usina. Ficou definido que o preço-teto será de R$ 83 por megawatt-hora (MWh) e o valor da obra está orçado em R$ 19 bilhões. Belo Monte terá capacidade de produzir 11,2 mil MW de energia.

Trem-bala. Dilma Rousseff disse ainda que os consórcios asiáticos têm se mostrado mais "agressivos" na disputa pela construção do trem-bala que ligará Rio de Janeiro a São Paulo e Campinas. Ela observou, no entanto, que é difícil saber quem vai participar da licitação até o momento da apresentação das propostas. Segundo Dilma, a obra desperta interesse de coreanos, espanhóis, chineses, japoneses, franceses e alemães.

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