WILTON JUNIOR | ESTADÃO CONTEÚDO
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Eletrobrás vai à Justiça por acordo com trabalhadores

Decisão foi tomada após aproximadamente 10 mil funcionários, dos cerca de 18 mil da estatal, terem rejeitado a proposta final feita pela empresa

Luciana Collet, O Estado de S.Paulo

20 Julho 2016 | 17h52

SÃO PAULO  - Diante do impasse na negociação com funcionários, a Eletrobrás deve buscar na Justiça uma solução para a campanha salarial. A decisão foi tomada após parte dos colaboradores terem rejeitado a proposta final feita pela estatal.

De acordo com os sindicatos que representam os funcionários da estatal e suas controladas, das 16 empresas que compõem o Sistema Eletrobrás, quatro não aceitaram a proposta - Eletrobras holding, Eletrobrás Cepel, Furnas e Chesf, o que corresponderia a um universo de aproximadamente 10 mil funcionários, dos cerca de 18 mil da estatal.

Em nota, a Eletrobrás disse que "irá tomar as medidas judiciais cabíveis, tendo em vista que se encerraram as negociações". Na prática, a companhia deve entrar com ação de dissídio junto ao Tribunal Superior do Trabalho (TST). A empresa salientou que mantém a sua proposta aos empregados que aprovaram o acordo, como os funcionários da Eletronuclear. A companhia afirma que "dentro de suas limitações financeiras" buscou a melhor proposta possível para atender aos funcionários.

A última proposta foi apresentada ao sindicatos na sexta-feira passada, 15, com uma previsão de reajuste em duas parcelas: 5% sobre o salário de abril, aplicado na folha de julho, retroativamente a maio, e de 4,28% sobre o salário de abril, aplicado na folha de novembro. Os benefícios teriam os mesmos índices de reajustes, nas mesmas datas, enquanto o tíquete alimentação subiria 9,28%, retroativamente a maio. Além disso, a Eletrobras ofereceu  garantia de reajuste pelo IPCA pleno em maio de 2017.

O Coletivo Nacional dos Eletricitários, que reúne os diversos sindicatos de eletricitários que representam funcionários da Eletrobrás, sugeriu a aceitação da proposta. O grupo avaliou que "considerando a conjuntura nacional, a instabilidade político-econômica no momento presente, as dificuldades financeiras enfrentadas pela Eletrobrás e suas subsidiárias, a perspectiva de reestruturação e troca de comando das empresas, este acordo com a garantia de benefícios e reposição integral da inflação pelo período de 24 meses vai proporcionar condições mais favoráveis para o enfrentamento de muitas outras demandas que virão, por conta das ameaças de privatização do setor elétrico estatal".

De acordo com Emanuel Mendes, diretor do Sindicato dos Trabalhadores nas Empresas de Energia do Rio de Janeiro e Região (Sintergia) e da Associação dos Empregados da Eletrobrás (AEEL), os funcionários de Furnas, Chesf, Cepel e da holding não concordaram com a proposta porque entenderam que não responde ao que reivindicavam. "Não pedimos ganho real, pedimos nada mais que a inflação do período. E entendemos que o reajuste da segunda parcela sem retroativo vai gerar uma perda salarial", disse. "Vamos manter a greve até o final, até a definição do TST", acrescentou.

 

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