Eletrobrás vai construir usina em Moçambique

Orçado em US$ 6 bilhões, o projeto inclui a construção de duas linhas de transmissão e está sendo estudado em parceria com a estatal EDM

GLAUBER GONÇALVES / RIO , O Estado de S.Paulo

19 de abril de 2012 | 03h05

A Eletrobrás planeja construir uma usina hidrelétrica de 1.500 MW no norte de Moçambique, disse o presidente da companhia, José da Costa Carvalho Neto.

Orçado em US$ 6 bilhões, o projeto inclui a construção de duas linhas de transmissão e está sendo estudado em parceria com a estatal EDM.

A princípio, a companhia moçambicana ficaria com uma participação de 51% no empreendimento e a Eletrobrás, com o restante. Mas outros sócios podem entrar no negócio.

"Há outras empresas internacionais interessadas, que podem participar, porque é um projeto muito grande. A Eletrobrás pode ter de 25% a 49%. É mais provável que fique por volta de 30%", disse Carvalho Neto .

O executivo recebeu ontem o primeiro-ministro de Moçambique, Aires Bonifácio Baptista Ali, e representantes da EDM para falar sobre o projeto.

A ideia é de que uma das linhas de transmissão permita a venda de energia da hidrelétrica para a África do Sul e a outra atenda o mercado moçambicano. Cada uma deve ter uma extensão de 1.500 quilômetros.

Juntas, devem custar US$ 2,3 bilhões. Já os investimentos na usina são estimados em R$ 3,7 bilhões.

Um estudo de pré-viabilidade já foi feito. As próximas etapas preveem o estudo de viabilidade, a elaboração do projeto básico, a definição de questões comerciais e a estruturação financeira.

Financiamento. De acordo com o presidente da Eletrobrás, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) está sendo considerado como opção para o financiamento dos empreendimentos. Se o projeto for adiante, as obras devem começar no fim de 2013.

Além de Moçambique, os planos internacionais da Eletrobrás incluem países da América do Sul.

Carvalho Neto espera que durante a visita do presidente do Uruguai, José Mujica, ao Brasil esta semana, seja assinado um protocolo de intenções para a implantação de cinco parques eólicos no vizinho do Mercosul.

A estatal também está estudando desenvolver projetos de usinas hidrelétricas na Guiana, Guiana Francesa e Suriname.

Para viabilizar o projeto, seria necessário criar uma linha interligando os três territórios entre si e ao Brasil.

"Essa região tem um potencial tão grande que é muito maior do que o mercado deles. Só se viabiliza se integrar com o Brasil", disse o presidente da Eletrobrás.

Captações. Enquanto faz planos para o futuro, a estatal brasileira se movimenta para garantir a execução de seu plano de negócios para este ano.

Para implementá-lo, a empresa pretende captar R$ 4,5 bilhões.

A inda não está decidido se esse montante será captado no mercado local ou no internacional.

"O mercado é favorável para nós, estamos podendo escolher o financiamento com o Tesouro", disse Carvalho Neto.

Segundo o executivo, outros R$ 4,4 bilhões já estão contratados através de linhas do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), entre outras.

Com isso, as captações devem totalizar R$ 8,9 bilhões.

O restante do plano de investimentos deve ser usado com recursos.

A expectativa da Eletrobrás é executar mais de 80% do valor definido para o plano de investimentos deste ano.

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