PAULO SANTOS/REUTERS
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Eletrobrás vai fundir distribuidoras no Norte

Objetivo da estatal é centralizar a gestão e diminuir os custos dessas empresas, facilitando uma operação de venda para a iniciativa privada no futuro

André Borges, Anne Warth, BRASÍLIA

11 Maio 2015 | 05h00

A Eletrobrás prepara duas operações de fusão entre suas empresas de distribuição de energia que atuam na região Norte do País. O objetivo é centralizar a gestão e reduzir os custos dessas distribuidoras, com o propósito de vendê-las no futuro. 

O plano, conforme apurou o Estado, é transformar as empresas Boa Vista Energia e Companhia Energética de Roraima (CERR) em uma única estatal, o que deve ser concluído até o fim deste ano. A partir da fusão, essa nova empresa fará parte de um novo bloco de distribuidoras aptas a serem vendidas na região Norte, somando-se às operações da Amazonas Energia e da Companhia de Eletricidade do Amapá (CEA). Ao aglutinar essas distribuidoras, a Eletrobrás entende que elas resultarão em um ativo de mais peso, portanto, mais atrativo para os investidores. 


A segunda fusão envolve a Eletronorte. O braço da estatal vai absorver as operações de geração e transmissão que pertencem à Amazonas Energia. Esta última ficará, portanto, somente com a parte de distribuição de energia, para que seja vendida separadamente. As primeiras medidas para viabilizar a fusão já foram tomadas. Recentemente, a Eletrobrás colocou a diretoria da Eletronorte para tocar as operações da Amazonas Energia.

A reestruturação das empresas de distribuição da Eletrobrás faz parte de um esforço da companhia para vender esses ativos à iniciativa privada e se concentrar em empreendimentos de geração e transmissão. 

Conforme já informou o Estado, a holding também trabalha para estruturar a oferta de um único bloco de quatro distribuidoras – Piauí (Cepisa), Alagoas (Ceal), Rondônia (Ceron) e Acre (Eletroacre) –, o que deve ocorrer entre os próximos 30 a 60 dias. 

Celg

O projeto de venda mais avançado, no entanto, é o da Celg, na qual a estatal tem sociedade com o governo de Goiás. O vice-presidente e diretor de regulação da Celg, Elie Chidiac, garante que a companhia é atrativa para investidores. A empresa tem 2,7 milhões de unidades consumidoras, e a previsão é de que o consumo de energia no Estado deve aumentar 4% neste ano, sendo 17% nas áreas rurais. A Celg tem baixos índices de perdas com “gatos”. Além disso, Goiás conta com facilidades como áreas planas e sem reservas ambientais, o que facilita investimentos.

Neste ano, a Celg Distribuição vai investir R$ 350 milhões, e até 2019, serão R$ 1,7 bilhão em ampliação e manutenção. “Com a renovação da concessão, a Celg-D vai conseguir sanar todos os seus problemas financeiros”, afirmou Chidiac. 

Com a inclusão da Celg no Programa Nacional de Desestatização (PND), o BNDES se tornará responsável pelos papéis da empresa. O banco deve contratar empresas que farão avaliação do valor da distribuidora e fará uma rodada de apresentações a investidores. 

Ainda não foi decidido se a Eletrobrás e o Estado de Goiás vão vender toda a empresa ou se permanecerão como sócios minoritários. O acordo prevê que o Estado e a Eletrobrás permanecerão com a mesma quantidade de ações. A tendência é vender 100% da operação.

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