Marcelo Min/Estadão
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Eletronorte busca empréstimo de R$ 500 milhões enquanto tenta receber dívida bilionária

Financiamento servirá para manter as operações da empresa de geração e transmissão Amazonas GT; problema financeiro na companhia tem origem na dívida de R$ 1 bilhão que tenta receber da principal distribuidora do Estado, a Amazonas Energia

André Borges, O Estado de S.Paulo

10 de agosto de 2020 | 11h17

BRASÍLIA - A Eletronorte, empresa do Grupo Eletrobrás, vai contratar um financiamento do mercado financeiro de R$ 500 milhões, como forma de manter as operações da companhia de geração e transmissão que controla no Estado do Amazonas, a Amazonas GT

Na semana passada, a Eletronorte aprovou empréstimo de emergência de R$ 100 milhões, com recursos próprios da estatal, para que a Amazonas GT quitasse suas dívidas e não complicasse ainda mais a situação da empresa.

A sangria financeira da principal companhia de geração e transmissão de energia do Amazonas tem origem na dívida que a companhia tenta receber da principal distribuidora do Estado, a Amazonas Energia. Hoje, a distribuidora tem uma fatura em aberto de R$ 1 bilhão para quitar com a geradora e transmissora Amazonas GT.

Questionada sobre o assunto, a Eletronorte confirmou que seu empréstimo de R$ 100 milhões para a Amazonas GT, associado a um segundo financiamento de R$ 500 milhões no mercado financeiro, tem o propósito de “atender uma situação temporária do baixo fluxo de caixa da Amazonas Geração e Transmissão em função da inadimplência de um dos clientes, a Amazonas Energia”.

Segundo a estatal, o objetivo é não comprometer a continuidade das obrigações de pagamentos por parte da Amazonas Geração e Transmissão. As empresas buscam um acordo para acabar com a crise. 

São dois os focos principais, afirmou a Eletronorte. O primeiro é estancar o crescimento da inadimplência a partir de setembro. O segundo é equacionar o alto valor da inadimplência da distribuidora, de cerca de R$ 1 bilhão. “Os empréstimos têm como finalidade estabelecer um fluxo de caixa adequado para a Amazonas Geração e Transmissão, para que ela continue a honrar com seus compromissos até que o devido acordo esteja estabelecido”, declarou a Eletronorte.

Apesar da dimensão da dívida, a companhia declarou que “não é vislumbrado nenhum risco de descontinuidade da prestação de serviços de geração e nem de transmissão até o momento”.

Um acordo entre as empresas está em fase final de avaliação, com expectativa de aprovação pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e Ministério de Minas e Energia. “Já está em desenvolvimento a forma do pagamento da alta dívida existente da Amazonas Energia. Portanto, a Amazonas Geração e Transmissão avalia como alta a probabilidade de fechar, em breve, um acordo que solucione definitivamente a questão”, declarou a Eletronorte.

O diretor-presidente da distribuidora Amazonas Energia, Tarcísio Rosa, disse que a inadimplência tem origem em uma “sobrecontratação involuntária” de energia, ou seja, um grande volume de geração que ainda não foi utilizado, e que a solução do caso passa pela oferta dos créditos já existentes que a empresa possui em função dessa sobra. “Esses valores são existentes, conhecidos e foram ofertados à Amazônia GT. São suficientes para quitar todo o débito da distribuidora junto à GT”, declarou.

Por causa desses créditos, a empresa não pretende recorrer a empréstimos. “Não há necessidade e não pretendemos fazer empréstimos financeiros junto ao mercado. Essa situação está muito próxima de ser equacionada, portanto não requer financiamento externo.”

A distribuidora pertencia ao grupo Eletrobrás, mas foi vendida à iniciativa privada em dezembro de 2018. Em abril do ano passado, foi assinado o novo contrato de concessão com o consórcio Oliveira Energia e Atem, pelo período de 30 anos. 

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