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Eletronorte desvaloriza ações da Eletrobrás

Investidores desconfiam da participação solitária da estatal no leilão de hidrelétrica do Madeira

Renée Pereira, O Estadao de S.Paulo

27 de novembro de 2007 | 00h00

A inscrição da Eletronorte para participar sozinha do leilão da Hidrelétrica de Santo Antônio, no Rio Madeira, não agradou nenhum pouco aos investidores do mercado financeiro. A reação foi verificada no comportamento dos papéis da Eletrobrás (holding que controla a estatal) no pregão de ontem. As ações ordinárias despencaram 9,2% e as preferenciais, 7,76%.Segundo o analista de energia do Banco Brascan, Diego Núñez, a presença isolada da empresa na disputa foi interpretada como uma forma de o governo jogar os preços para baixo. De acordo com o edital do leilão, previsto para o dia 10 de dezembro, o preço-teto de Santo Antônio será de R$ 122 por megawatt/hora (MWh). Ou seja, os lances só podem ser abaixo desse valor. Quem oferecer a menor tarifa leva a usina. É aí que mora o problema. Para os investidores, jogar o preço para baixo significa aceitar uma taxa de retorno menor comparada a dos concorrentes. "Isso não é bom para a Eletrobrás, pois o investimento é alto e rentabilidade seria baixa", diz Nuñez.Além disso, completa ele, esse tipo de decisão afugenta o investidor privado do setor elétrico brasileiro, que precisa expandir seu parque gerador para escapar de um novo racionamento nos próximos anos. De fato, os concorrentes ficaram preocupados com a notícia divulgada sexta-feira. Até então estava praticamente certo que a estatal participaria de um consórcio ao lado de Alusa e outras empresas privadas.A Eletronorte não quis comentar sua participação sozinha do certame. Disse apenas que foi uma decisão estratégica e exclusiva. Mas deixou escapar que estaria disposta a fazer parcerias com a iniciativa privada ou com outras estatais se vencer o leilão. O diretor da Coppe/UFRJ, Luiz Pingelli Rosa, ex-presidente da Eletrobrás, garante que a estatal tem plenas condições de levar adiante um projeto desse porte. "Se ganhar a disputa, o grupo Eletrobrás será sua retaguarda", avalia ele.O executivo defende a expansão dos investimentos das estatais nesse tipo de empreendimento, pois barateia o custo da obra. "De fato, as estatais admitem uma taxa de retorno menor. Podem se contentar com uma rentabilidade entre 10% e 15%, enquanto a iniciativa privada está pedindo entre 15% e 20%. Isso não significa ter prejuízo."A diretora da agência de classificação de risco Standard&Poor?s, Milena Zaniboni, também acredita no potencial da Eletronorte para levar adiante um projeto do porte de Santo Antônio. "A empresa vai ter o suporte da Eletrobrás, uma companhia extremamente líquida, sem endividamento e com excelentes condições técnicas e financeiras para fazer a obra", destaca ela.Para participar da disputa, entretanto, a estatal terá de fazer o depósito das garantias exigidas por lei até sexta-feira. De acordo com o edital do leilão, as empresas participantes dos consórcios podem optar por caução em dinheiro, fiança bancária, seguro garantia ou títulos da dívida pública. O valor da garantia corresponde a 1% do valor do investimento na hidrelétrica, calculado em torno de R$ 9 bilhões.

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